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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CONTROLE REMOTO: A volta de "Girls"




                Depois de quase 7 meses de hiato, estreou nesse domingo a segunda e tão aguardada temporada de Girls. Depois de colher os frutos do sucesso que obteve com a temporada de estreia, Lena Dunham tinha a difícil missão de dar continuidade a uma ótima temporada e ainda surpreender uma nova parcela do público que começou a prestar atenção na série depois de todo o buzz que fizeram em volta da “nova Sex And The City”.
                Então a boa notícia é que Lena conseguiu manter o pique da série, inserindo coisa nova e melhorando coisa antiga. As personagens principais não perderam o traço de personalidade que as faz tão diferentes e facilmente relacionáveis, os diálogos continuam carregados da ironia e verdades cruas e até a direção de Lena se aperfeiçoou de lá pra cá. Traduzindo: Hannah continua fazendo e falando merda, provando que é humana e longe de ser uma “heroína”; Marnie continua controladora e certinha no estilo Charlotte York (se bem que nem tanto, atenção aos parágrafos abaixo);  Shosh não deixou de ser estranha, falar rápido e usar gírias de internet ao vivo.
                Com tanta coisa boa, separei em 5 tópicos as melhores coisas desse episódio de estreia e que eu espero que continuem ao longo da temporada. Bem ilustradinho com gifs porque esse episódio merece [CUIDADO COM O XPOILER]:
1.       Elijah: depois de ter aparecido só em três episódios da temporada passada, o ex-namorado gay de Hannah parece ter um papel mais presente na série, agora que ele é o novo roommate da aspirante a escritora. Elijah traz a cota de piadas e citações gays dos personagens, sem cair completamente no estereótipo das outras séries. Num dos previews divulgados antes da estreia, Andrew Rannels já disse que o personagem vai ter seus próprios dramas dentro da série, inclusive um certo ~~abuso de substâncias~~. 




2.       Hannah virando o jogo: parece que, no final, há alguma espécie de carma no mundo (ou em Girls) que ri na cara das pessoas mais que o Simba na cara do perigo. E é esse carma que faz com que Adam, que desprezou Hannah praticamente uma temporada inteira, começasse a correr atrás da menina e “provasse do próprio veneno” ao ser desprezado por ela e tomar um pé na bunda. Sinto muito por quem shippava os dois, mas nunca fui com a cara do Adam e as taras sexuais bizarras dele. Como se só a superação já não fosse boa o suficiente, ainda tem o discurso de “sou humana e não consigo ser altruísta” que foi melhor que a cereja do bolo.




3.       A Festa de Elijah e Hannah: sem querer generalizar, mas numa casa onde vivem um gay e uma menina com a mentalidade de Hannah, a primeira coisa que se espera é sociais. O bom de episódios com festa (em todas as séries) é que sempre rende situações hilárias, além de servir pra mostrar um tipo diferente de interação entre os personagens. Na social de ~~inauguração~~ da casa nova, vemos Charlie sendo aomilhada pela nova namorada, Marnie insegura e cheia de carência, o namorado de Elijah fazendo o clássico barraco de bêbado que não pode faltar numa festa e, a estrelinha da festa, Shoshanna sendo Shoshanna. Admire a beleza do gif de baixo e pula pro próximo tópico pra entender.




4.       A ascensão de Shoshanna: dentre as 4 principais, Shoshanna sempre foi a mais apagadinha da série, sem par romântico, sem drama, sem uma história bem desenvolvida. E, graças aos céus, Lena corrigiu esse erro a tempo. Só nesse episódio, Shosh já roubou a atenção com um discurso nervoso e rápido sobre auto-respeito, um rap sem sentido no meio da social de Elijah e Hannah e um cover de Beautiful Girls do Sean Kingston que foi a melhor coisa cantada no karaokê da festa. Aparentemente, a relação com Ray ainda vai render bastante, e eu só espero que saiam mais cenas como a das imagens daqui de baixo.





5.       A cena de quase-sexo entre Elijah e Marnie: enquanto Shoshanna foi a melhor personagem do episódio, essa foi a melhor cena, hands down. Só o nu de Andrew Rannels já seria suficiente pra eu ter elegido isso, mas tudo o que acontece na cena do sofá em diante serve pra consolidar o #1 no pódio. A tentativa frustrada de Elijah de se passar por bi (quem nunca?), Marnie soltando as rédeas e fazendo algo que nunca esperaríamos dela, o aperto de peitos dos dois, ela sendo chamada de little bitch e, por fim, a conclusão a que os dois chegaram com a experiência. Como gifs não seriam suficientes pra expressar isso tudo, tive o trabalho de cortar a cena e fazer o upload pra vocês. Assistam:



A única coisa que eu tenho a reclamar por enquanto? Jessa. A menina aparece numa cena de menos de dois minutos que só serve pra mostrar que o casamento vai bem, muito obrigado. Não sei se é porque Jemima tá grávida ou what, mas acho bom o desaparecimento dela não ser ignorado e alguém comentar/justificar isso o mais rápido possível. 

sábado, 15 de setembro de 2012

CONTROLE REMOTO: The New Normal, a nova série do Ryan Murphy




                A primeira impressão que eu tive ao ver New Normal foi a de assistir a um spinoff de dois personagens de Glee, Kurt e Blaine, vivendo numa idade adulta. Depois eu me lembrei de Modern Family e imaginei o casal principal como uma versão mais atraente do Cam e do Mitchel. Então eu reparei como a maioria dos casais homossexuais são estereotipados na TV e fiquei meio decepcionado. Mas essa decepção passou antes de o episódio terminar.


                The New Normal conta a história de um casal de gays, David (Justin Bartha) e Bryan (Andrew Rannels, o ex namorado recém-assumido de Hanna na também ótima Girls) que decidem ter um filho e para isso precisam de uma barriga de aluguel que esteja disposta a carregar a criança (a “mãe” do menino é uma mulher parecida com a Gwyneth Paltrow, só que interpretada por ela mesmo numa cameo rapidinha pra série). É aí que entra Goldie (Georgia King). Goldie é uma jovem de 20 e poucos anos que teve uma filha aos 15 e é parcialmente sustentada pela avó, Nana.  Só quando flagra o seu marido na cama com outra que Goldie resolve dar uma reviravolta na sua vida e recomeçar tudo, só que pra isso ela precisa de dinheiro e então resolve ser a barriga de aluguel de um casal gay (quem será???).

                Apesar de Goldie e o casal terem se dado bem logo de cara, Nana não aprova a situação toda e é aqui que eu explico a ~~magia~~ de Nana. Nana From Hell (vivida por Ellen Barkin) é como a Sue Silvester de Glee, só que mais preconceituosa. A mulher, só no primeiro episódio, conseguiu ofender quase todas as minorias do mundo: adolescentes grávidas, judeus, latinos, asiáticos, negros, deficientes físicos e, claro, gays (ou “fumadores de salame”, como ela diz). Tá, você deve estar pensando “Cadê a parte que ela é legal?”, mas acontece que se você gostar de personagens bonzinhos de uma forma convencional, você não vai gostar dela. É claro que se ela fosse só esse monstro preconceituoso, eu não gostaria dela também, mas Nana não é de todo ruim, ela só é “dura na queda”. Piadas racistas de lado, é impossível você não gostar de Nana quando, ao descobrir que a neta foi traída, a primeira coisa que ela faz é tirar uma pistolinha da bolsa, apontar pro cara e ainda falar que ele tem maxixes no lugar do saco; ou quando ela diz que confundiu a filha com um mioma e quando deu por si já estava fudida. Existe até uma piada com fundinho de amor por gays quando ela declara que sem eles seria impossível o cabelo dela ser bom como é. Por sinal, as cenas dela com a secretária do Bryan, Rocky (interpretada pela NeNe Leakes, a arquirrival de Sue Silvester em Glee), são de te fazer chorar de rir e, com sorte, haverá muitas delas nos próximos episódios.
                Voltando pra série, esta tem a fórmula mágica do Ryan Murphy que fez de Glee um sucesso tão grande. Não, por enquanto não tem ninguém cantando no meio da rua ou do trabalho, apesar de eu não descartar a possibilidade de um episódio especial assim. Jogando piadas ácidas no meio de momentos que deveriam ser pesados de carga emocional, as cenas conseguem ficar no meio termo entre o drama e a comédia escrachada (muita gente não gosta disso, mas eu, particularmente, adoro; vide Georgia Rule). Há algumas tão boas que eu já considero épicas no primeiro episódio, como Ryan comprando roupas e desejando ter um bebê como se uma criança fosse um acessório (“I MUST have it”); as cenas que mostram a diferença de referencial entre Bryan e David, como um citar Mariah Carey como exemplo de vida e o outro citar Barack Obama, ou quando David pede pra conversar no intervalo do jogo de futebol e Bryan pergunta se é quando a Madonna vai cantar (identificação forte da minha parte); e ainda tem uma cena que remete ao piloto de Sex And The City, quando os personagens falavam direto pra câmera, só que em New Normal serve pra mostrar os diferentes tipo de família e não de problemas sexuais/amorosos.


                Enfim, é isso gente. Não sei se ficou claro, mas a série é boa e vale a pena assistir. Reconheço que não é uma obra prima da televisão, mas é melhor do que muita porcaria por aí. Eu sei que ela tem um apelo maior para o público gay, mas se você não for uma pessoa que se incomode com isso (o que eu espero que você não seja, se você tá aqui lendo isso), você também pode gostar. Mesmo que o casal principal seja dois gays-barbies bem-sucedidos e apaixonados, e a gente saiba que o mundo todo não é assim, isso não é razão pra não dar uma chance à série. Tô deixando um “trailer” aqui embaixo pra você se animar um pouquinho com a ideia e não esquecer que abnormal is the new normal, nas palavras de Bryan.