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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

TÁ NA BANCA: Vogues - Outubro 2012



                Começando com um pedido de desculpas pelo super atraso nesse post que já era pra ter sido feito há uns 20 dias, venho auqi com as edições de outubro da Vogue.
                Um mês bem mais ou menos, cheio de decepções e de mesmices, mas que, pelo lado comercial, deve ter valido a pena. Por exemplo, a Vogue inglesa trazendo a Kristen Stewart e suas vááárias expressões faciais num ensaio que ficaria melhor com qualquer outra pessoa. É bom? É. É ótimo? Não. Vai vender pra caralho? Sim, porque é a primeira matéria de capa que aparece a KStew desde a história dos chifres que ela meteu na cabeça do Robert, então mesmo que a entrevista não seja lá grandes coisas e muito menos o editorial, o que importa é a que todo mundo quer saber se ela tá bem, como ela tá falando, sobre o que ela tá falando e bla bla bla.




                Outra decepção: Vogue Paris. Como se não bastasse colocar a Kate Moss na capa de novo (não que eu esteja reclamando dela, mas dois meses consecutivos é demais, não?), ainda resolveram colocar o George Michael do lado e fizeram essa coisa meio red carpet/meio candid de paparazzi, parece que se inspirando na tosqueira que a Vanity Fair fez com as capas da Kate Middleton e da Katie Holmes. Sem falar que me pareceu um meio termo entre a capa da Nicole Richie pra Vogue Italia (que tinha um conceito claro de red carpet) e a capa da própria Vogue Paris de 2007, também feita pelo Mario Testino, só que com a Doutzen Kroes e o Gaspard Ulliel ()


(Doutzen e Gaspard por Testino, em 2007)

(Nicole por Meisel, em 2006)



                A maior decepção: Vogue Brasil. Tinha tudo pra ser uma das minhas preferidas, mas... mas... por onde começar? Pela presença da Xuxa plastificada na capa do suplemento de beleza? Seria um começo. Outra decepção? A capa principal. Vi a Lara Stone fotografada pelo Testino e pensei que teria outro editorial do tamanho do que ele fez com a Kate Moss no ano passado pra publicação, mas não. O máximo que vem nessa edição é outra retrospectiva/homenagem à carreira do Mario e algumas outtakes antigas que resolveram publicar num especial sobre o Peru, país de origem dele. O pior é que eu, todo empolgado, fui seco na banca comprar e me senti: broxado. Mas pelo menos esse ~~especial Testino~~ é bom e, de quebra, tem um editora com a Shirley Mallmann pelo Jacques Dequeker que me lembrou muito o trabalho do Steven Klein, mas de uma forma mais leve.

(esq.: Lara usando túnica da Osklen e celebrando o estilo peruano; dir.: Xuxa e seu cabelo novo de dois milhões, por Jacques Dequeker) 


Shirley Mallmann por Jacques Dequeker

                Falando em Mario Testino, esse mês ele tá com quatro capas da Vogue, e três delas são as maiores do mercado: USA, UK e Paris. Coincidência ou não, tô achando é bom, apesar de que teve uma foto da Kristen que me pareceu um pouco demais com uma da Kate e que depois me lembrou de mais uma dela, no editorial que eu citei mais acima, pra Vogue BR. Sem julgamentos, é impossível isso não acontecer em algum momento, não há criatividade que aguente.





               As outras capas tão aqui embaixo, dá uma conferida aí:

 Na Alemanha: Kate Nascher por Camilla Akrans

 China
 Espanha: Bianca Balti por Giampaolo Sgura

 Daria Strokous por Inez and Vinoodh para a versão japonesa

 Anja Rubik para a Koreana
 Hilary Rhoda na capa da Vogue Mexico
 Vogue lusitana com Patrycja Gardygajlo por Marcin Tyszka

Scarlett Johansson por Victor Demarchelier (filho do Patrick) para a edição russa





Vogue Italia com mais um editorial maravilhoso e inspirador, "Blow-Up", com Meghan Collison por Steven Meisel

 Laetitia deslumbrante na capa da Vogue Turquesa, fotografada por Sean and Seng

Keira por Mario Testino, divulgando Anna Karenina na capa da Vogue USA

                Por sinal, a Vogue americana tá com duas coisas no recheio que são bem interessantes. A primeira delas é uma matéria com o Ryan Murphy e o elenco de The New Normal, fotografadas por Norman Jean Roy. A segunda é o primeiro nu artístico da carreira da Carol Trentini, feito por Peter Lindbergh. Achei mais interessante que o ensaio principal, falei.




sábado, 15 de setembro de 2012

CONTROLE REMOTO: The New Normal, a nova série do Ryan Murphy




                A primeira impressão que eu tive ao ver New Normal foi a de assistir a um spinoff de dois personagens de Glee, Kurt e Blaine, vivendo numa idade adulta. Depois eu me lembrei de Modern Family e imaginei o casal principal como uma versão mais atraente do Cam e do Mitchel. Então eu reparei como a maioria dos casais homossexuais são estereotipados na TV e fiquei meio decepcionado. Mas essa decepção passou antes de o episódio terminar.


                The New Normal conta a história de um casal de gays, David (Justin Bartha) e Bryan (Andrew Rannels, o ex namorado recém-assumido de Hanna na também ótima Girls) que decidem ter um filho e para isso precisam de uma barriga de aluguel que esteja disposta a carregar a criança (a “mãe” do menino é uma mulher parecida com a Gwyneth Paltrow, só que interpretada por ela mesmo numa cameo rapidinha pra série). É aí que entra Goldie (Georgia King). Goldie é uma jovem de 20 e poucos anos que teve uma filha aos 15 e é parcialmente sustentada pela avó, Nana.  Só quando flagra o seu marido na cama com outra que Goldie resolve dar uma reviravolta na sua vida e recomeçar tudo, só que pra isso ela precisa de dinheiro e então resolve ser a barriga de aluguel de um casal gay (quem será???).

                Apesar de Goldie e o casal terem se dado bem logo de cara, Nana não aprova a situação toda e é aqui que eu explico a ~~magia~~ de Nana. Nana From Hell (vivida por Ellen Barkin) é como a Sue Silvester de Glee, só que mais preconceituosa. A mulher, só no primeiro episódio, conseguiu ofender quase todas as minorias do mundo: adolescentes grávidas, judeus, latinos, asiáticos, negros, deficientes físicos e, claro, gays (ou “fumadores de salame”, como ela diz). Tá, você deve estar pensando “Cadê a parte que ela é legal?”, mas acontece que se você gostar de personagens bonzinhos de uma forma convencional, você não vai gostar dela. É claro que se ela fosse só esse monstro preconceituoso, eu não gostaria dela também, mas Nana não é de todo ruim, ela só é “dura na queda”. Piadas racistas de lado, é impossível você não gostar de Nana quando, ao descobrir que a neta foi traída, a primeira coisa que ela faz é tirar uma pistolinha da bolsa, apontar pro cara e ainda falar que ele tem maxixes no lugar do saco; ou quando ela diz que confundiu a filha com um mioma e quando deu por si já estava fudida. Existe até uma piada com fundinho de amor por gays quando ela declara que sem eles seria impossível o cabelo dela ser bom como é. Por sinal, as cenas dela com a secretária do Bryan, Rocky (interpretada pela NeNe Leakes, a arquirrival de Sue Silvester em Glee), são de te fazer chorar de rir e, com sorte, haverá muitas delas nos próximos episódios.
                Voltando pra série, esta tem a fórmula mágica do Ryan Murphy que fez de Glee um sucesso tão grande. Não, por enquanto não tem ninguém cantando no meio da rua ou do trabalho, apesar de eu não descartar a possibilidade de um episódio especial assim. Jogando piadas ácidas no meio de momentos que deveriam ser pesados de carga emocional, as cenas conseguem ficar no meio termo entre o drama e a comédia escrachada (muita gente não gosta disso, mas eu, particularmente, adoro; vide Georgia Rule). Há algumas tão boas que eu já considero épicas no primeiro episódio, como Ryan comprando roupas e desejando ter um bebê como se uma criança fosse um acessório (“I MUST have it”); as cenas que mostram a diferença de referencial entre Bryan e David, como um citar Mariah Carey como exemplo de vida e o outro citar Barack Obama, ou quando David pede pra conversar no intervalo do jogo de futebol e Bryan pergunta se é quando a Madonna vai cantar (identificação forte da minha parte); e ainda tem uma cena que remete ao piloto de Sex And The City, quando os personagens falavam direto pra câmera, só que em New Normal serve pra mostrar os diferentes tipo de família e não de problemas sexuais/amorosos.


                Enfim, é isso gente. Não sei se ficou claro, mas a série é boa e vale a pena assistir. Reconheço que não é uma obra prima da televisão, mas é melhor do que muita porcaria por aí. Eu sei que ela tem um apelo maior para o público gay, mas se você não for uma pessoa que se incomode com isso (o que eu espero que você não seja, se você tá aqui lendo isso), você também pode gostar. Mesmo que o casal principal seja dois gays-barbies bem-sucedidos e apaixonados, e a gente saiba que o mundo todo não é assim, isso não é razão pra não dar uma chance à série. Tô deixando um “trailer” aqui embaixo pra você se animar um pouquinho com a ideia e não esquecer que abnormal is the new normal, nas palavras de Bryan.