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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

AMEN FASHION/CINEMA: A Vida Através das Lentes - Annie Leibovitz




                O documentário A Vida Através das Lentes mostra um pedaço até pequeno da carreira de Annie Leibovitz. Pra quem não conhece seu trabalho, é uma ótima chance de ser apresentado às superproduções que a fotógrafa costuma fazer em suas fotos e, o melhor, ver que o trabalho de Annie vai muito além de um grande orçamento e clientes famosos. O filme consegue dar uma pincelada em seu vasto currículo, passando pelos anos de Rolling Stone, onde fez seu nome e teve a sorte de ser a última fotógrafa a registrar John Lennon vivo; pela sua entrada no mundo da moda (que vou falar mais adiante) através da Vanity Fair, onde ajudou a erguer o nome da publicação e a estabilizar o próprio; pelo seu trabalho pessoal feito em guerra, com a ajuda e aconselhamento da namorada Susan Sontag; e, por fim, termina com o seu trabalho na Vogue, onde está até hoje e onde, apesar da descrença inicial, fez os trabalhos mais marcantes da sua carreira.

 Yoko One e John Lennon antes horas do cantor ser assassinado

foto tirada em Saravejo

                E é aqui que eu começo a declarar um amor de longa data pelo trabalho de Annie Leibovitz. Lembro quando fiquei mais de 30 minutos admirando um ensaio que ela tinha feito com a Angelina Jolie em 2006 para a Vanity Fair. Na época, o que me chamou a atenção foi o olhar penetrante que Angelina tinha dado à câmera, algo que, então, eu creditei completamente à atriz. Mais tarde, à medida que ia me interessando por fotografia, fui aprendendo que um olhar daqueles não é arrancado por qualquer um e, como era de se esperar, me deparei com o nome “Annie Leibovitz” de novo. Foi quando descobri que grande parte do efeito magnetizante daquele olhar que tinha me intrigado tanto era mérito dela.

The Tempest: Angelina Jolie para a Vanity Fair

                Durante “Através das Lentes”, alguém comenta que Annie consegue capturar a alma da pessoa que fotografa e que isso é sua maior qualidade. Mais tarde, uma mulher especializada em fotografia diz que Leibovitz não obtém a alma por completo da pessoa porque isso é impossível, mas que ela consegue capturar uma parcela disso. Isso leva à pergunta: será que a intenção de Annie é mostrar a alma da pessoa como um todo, ou a parcela que ela acha mais importante desse todo? Um exemplo que ilustra isso muito bem é o retrato que ela fez de Patti Smith para a Rolling Stone (também comentado no filme), onde a cantora confessou que Annie viu nela algo que nem a própria Patti tinha enxergado até então.

Patti Smith para a Rolling Stone

                Essa sim é a maior qualidade do trabalho de Annie. Ela tem uma sensibilidade sobre suas fotos e os assuntos/pessoas fotografados, que é como se revelasse com a câmera o que só ela consegue ver da pessoa. Através de personagens que passem essa ideia, ela consegue contar uma história pelas suas fotos, usando com maestria figurino, cenário e modelo. Dessas histórias, já saíram uma Cameron Diaz circense; uma Rihanna leve e livre na praia, assim como uma versão mais recente da cantora, dominando cenários naturais como uma espécie de “deusa”; Adele deprimida com o coração partido numa cama de hotel; a Angelina Jolie sex symbol assim como a Angelina mãe de família que ela se tornou mais tarde; Sarah Jessica Parker num ensaio romântico e centrado na moda, assim como a série que a tornou famosa, Sex And The City; Penélope Cruz exaltando suas raízes espanholas ao lado de um toureiro; Jude Law como um homem do campo; Cindy Crawford nua, envolta numa serpente, como uma Eva “pura” e tentadora, e por aí vai.

 Cameron Diaz vestindo Emanuel Ungaro para a Vogue


 Rihanna para a Vogue em 2011



Rihanna para a Vogue em 2012

 Adele na fossa


 a transformação de Angelina


Sarah Jessica Parker para a Vogue

                Não é à toa que Annie é tão requisitada por algumas das maiores grifes do mundo, como Dior e Louis Vuitton. As campanhas fotografadas por ela vão além da simples venda de roupas. Elas mostram uma possibilidade de aventura que acaba sendo associado com o produto da imagem.


 Laetitia Casta em campanha da Louis Vuitton


Marion Cotillard para a Dior

                Outro trabalho de Annie que merece ser citado é o seu talento em retratar elencos de filmes, fazendo álbuns do mesmo que às vezes saem melhor do que as imagens oficiais. No documentário, é mostrado um trecho do ensaio de Kirsten Dunst como Maria Antonieta, mas, ultimamente, ela tem feito praticamente um filme por mês para a Vogue. Já foi Anne Hathaway com Os Miseráveis, Michelle Williams como Marilyn Monroe, Nicole Kidman no set de Australia e até o elenco inteiro de Harry Potter caracterizado no set do primeiro filme, para a Vanity Fair.


 Kirsten Dunst - Maria Antonieta


Amanda Seyfried e Anne Hathaway - Les Mis


 Michelle Williams - My Week With Marilyn


 Nicole Kidman - Australia


 O elenco de Harry Potter ainda no primeiro filme para a Vanity Fair

                Por sinal, Harry Potter não foi o único universo mágico e infantil onde Annie entrou. Fora os ensaios de moda inspirados em contos de fadas, como Keira Knightley de Dorothy (O Mágico de Oz) e Drew Barrymore deitada num leão à la Bela e a Fera, a fotógrafa foi convidada pela Disney para fazer uma série oficial de retratos. Usando celebridades para darem vida a personagens famosos dos clássicos Disney, há desde uma Queen Latifah caracterizada de Úrsula até uma Scarlett Johansson perdendo os sapatos de cristal na escada do castelo. Tudo feito com megaprodução, orçamento alto e a sensação de que magia realmente existe.

 Keira Knightley - O Mágico de Oz

 Drew Barrymore - A Bela e a Fera

 Penélope Cruz e Jeff Bridges - A Bela e a Fera

 Scarlett Johansson - Cinderella

Queen Latifah - Úrsula de A Pequena Sereia

                O trabalho de Annie não inspira só os fãs da fotografia, mas também os que a produzem. É o caso de Terry Richardson, que começou a ficar famoso nos anos 90 e recentemente perdeu a mãe, um de seus temas pessoais mais fotografados. No meio de 2012, apenas horas após a morte, Terry publicou no seu site oficial fotos da mulher morta na cama do hospital. Muitas pessoas ficaram chocadas com as imagens, provavelmente porque poucas sabiam que Annie já tinha feito o mesmo com o pai (confesso que me incluo nesse meio). A questão é que quando se compara os dois trabalhos, é inquestionável a superioridade técnica e proposital de Annie. Ao lado de suas fotos, parece que Terry é apenas uma criança com uma máquina fotográfica apertando botões a esmo enquanto tenta fazer uma foto bem enquadrada.

 foto do cadáver do pai de Annie Leibovitz tirada por ela

"a última foto que tirei da minha mãe" - Terry

                 Indo além do seu significado básico, Annie mostra a fotografia como uma forma de arte requintada e excepcional. Pegando Terry Richardson como exemplo, de novo, basta fazer uma comparação das versões dos dois para o calendário Pirelli. Enquanto as fotos dele beiram a pornografia (o que não o diminui, já que é a característica do seu trabalho), as dela parecem pinturas minuciosamente retocadas.

 Pirelli por Terry Richardson - 2011


Pirelli por Annie Leibovitz - 2000

                Por fim, o documentário é sem dúvida uma prova consistente do talento de Annie Leibovitz. Ele mostra que a fotógrafa faz arte seja com um George Clooney dentro de um lago cheio de “ninfas”, seja com um Robert Downey Jr. contra um fundo branco. 



sábado, 11 de agosto de 2012

CINEMA: O Que Esperar Quando Você Está Esperando



Após um período de vacas magras, consegui voltar ao cinema essa semana e, apesar de ter visto dois filmes nos últimos dias, resolvi escrever só sobre um por motivos de ainda-não-sei-como-me-sinto em relação ao outro (que foi Bem-Amadas, com Catherine Deneuve e Louis Garrelicious). Pois bem, a história de “O Que Esperar Quando Você Está Esperando” gira em torno de cinco casais no processo de ter um filho e segue até pouco depois de os filhos chegarem ao mundo.
Jennifer Lopez e Rodrigo Santoro dão vida a Holly e Alex, a cota de latinos do filme. Holly tá louca pra adotar um menino, enquanto Alex meio que surta quando descobre que eles conseguiram uma criança antes da data prevista de um ano. A história é uma das mais chatinhas do filme, sem nenhum momento muito engraçado, há não ser talvez pela cena em que a assistente social faz aquela visita constrangedora aos dois. No mais, prefiro J. Lo como diva do pop dançando seminua, porque ela ainda não me convence como atriz, apesar de a química com Rodrigo Santoro ter funcionado direitinho (tirando o sotaque dele que é um pouco irritante).

Diferente de Cameron Diaz (Jules) e Matthew Morrison (Evan), que não me convenceram como casal. Eles vivem dois competidores de um programa tipo Dancing With The Stars que começam a ter um caso durante os ensaios e acabam engravidando. Jules e Adam só sabem discutir e brigar durante 80% do filme, o que provavelmente tem a ver com o fato de que esse é um dos personagens mais chatos da carreira de Cameron. As melhores cenas da atriz no filme são o parto (mas também não é só o dela, todos são hilários), a bolsa estourando no meio do programa e, a melhor, quando ela tenta convencer Gary (Ben Falcone) a parar de comer um sanduíche para não voltar a ficar gordo (ela é tipo uma personal trainer especializada em gordinhos).


E, como eu já toquei no assunto, o núcleo de Gary e Wendy, interpretada pela linda da Elizabeth Banks, é o melhor e mais divertido do filme, com destaque pra ajudante da loja, Janice, que ~~rouba~~ a cena toda hora que abre a boca pra falar algo constrangedor. A parte em que Wendy faz uma leitura na feira infantil, por exemplo, toda sofrida por causa da gravidez já avançada, é daquelas de te fazer tampar a boca de tanto rir e sentir vergonha alheia.


Outro casal que é puro amor são Ramsey (Dannis Quaid) e Skyler (Brooklyn Decker), os “pais” de Gary (Skyler é uma espécie de madrasta bem nova). Os dois casais – Ramsey e Skyler x Gary e Wendy - ficam o filme inteiro num climão de disputa de quem tem a melhor gravidez (exceto por Skyler, que não tem culpa de ser perfeita e só quer se dar bem com todo mundo), e as cenas em que as duas mulheres se encontram são quase sempre hilárias, com Wendy morrendo de inveja da falta de complicações e excesso de dinheiro na gravidez da outra, que parece a Barbie Gestante.  O ápice dessa perfeição, por sinal, é o parto-espirro que ela tem versus o parto-escândalo problemático da outra.


O último casal (e o mais aleatório de todos) é composto pela linda da Anna Kendrick (Rosie) e pelo também lindo Chace Crawford (Marco). Representantes da ala jovem do filme, Rosie engravida por acidente depois de ter se deitado (no capô do carro) com Marco apenas uma vez e depois daquela lenga-lenga de “o que vou fazer”, eles começam a aceitar e a gostar da ideia de ter um filho. O problema é que quase no meio do filme ela tem um aborto espontâneo (ops, spoiler) e os dois meio que ficam perdidos na história, sobrando só um draminha barato pra dar gás até eles terminarem juntos.

Apesar de o foco principal ser os casais, os coadjuvantes do filme são, muitas vezes, mais interessantes que os principais. É assim pelo menos com o clube dos papais, que, advinha?, é formado por um grupo de pais que se encontram pra ~~aliviarem a tensão~~ e não se julgarem. Chris Rock é uma espécie de líder do grupo que idolatra ninguém mais ninguém menos que Davis, interpretado pelo lobão Joe Manganiello. Sinceramente, Davis já aparece sem camisa na primeira cena, fazendo flexão com um braço só e, vou te falar, melhor que isso só em True Blood mesmo. Outra pessoa que aparece no filme pra abrir a boca duas vezes é Cheryl Cole como ela mesma, na cadeira de jurados do programa em que Jules e Evan se conhecem. Imagino que se a Britneyde já tivesse fechado o contrato com o X Factor na época das filmagens do filme, ela teria sido uma escolha melhor, mas quem não tem cão caça com gato, né.



 E é isso. Resumidamente, o filme é uma comédia romântica como outra qualquer, sem algo de super marcante ou especial, exceto pelo apelo que deve ter pra mulheres grávidas e casais que já tiveram filhos. Não é de todo ruim também, porque tirando as piadas batidas, há cenas engraçadas. Como é de se esperar, O Que Esperar Quando você Está Esperando é um daqueles filmes que você assiste pra se distrair sem ter que prestar muita atenção.