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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CONTROLE REMOTO: A Season Finale de The Newsroom




                Depois de apenas nove episódios que pareceram uma eternidade, a primeira temporada de The Newsroom chegou ao fim. E eu, que venho aqui desde o primeiro episódio fazendo comentários sobre a série, pensei em nem fazer esse post por puro desgosto, mas resolvi fechar esse ~~ciclo~~ e explicar os motivos que me levaram a quase tomar essa decisão.
                O piloto da série prometia uma narrativa cheia de reviravoltas, histórias originais, personagens interessantes e um humor ácido e direto ao ponto que me fizeram terminar o episódio batendo palminhas e com a boca salivando por mais. Não sei exatamente em qual episódio eu comecei a me sentir incomodado pela falta de um ou mais desses elementos que eu disse aí em cima, mas a gota d’água pra mim foi o último episódio dessa temporada.  Primeiro, os fatos e o que acontece na série.
                Pois bem, lembram que eu tava com uma pulga atrás da orelha sobre a matéria que o Brian iria escrever sobre o Newsnight? Então. O episódio já começa com a polêmica da matéria publicada e a foto do Will congelado no estilo Avenida Brasil com o título The Greater Fool. Sem entrar em detalhes, ele esculacha o jornal inteiro e humilha publicamente a figura do âncora. Agora, qual a reação de Will? Ao invés de ficar puto e xingar todo mundo, tentar espancar o cara ou ficar deprimido em casa como uma pessoal normal, ele exagera do mesmo jeito que fez com a traição de Mac. Will McAvoy tenta se matar com uns comprimidos (que todo mundo sabe que não mata nada) e, quando acorda no hospital, ameaça não voltar mais para o estúdio do Newsnight.
                Agora, sabe quem salva essa drama queen daí de cima? Nina Howard, a mulher que ele humilhou há alguns episódios e que é editora-chefe da TMI, a versão impressa do programa pro TMZ. Nina dá uma dica pra Mackenzie e, numa virada de jogo de mestre, eles conseguem a evidência de que o Reese vem hackeando ilegalmente os telefones alheios, tudo porque Will descobriu que a história prestes a ser publicada por Nina (a de que ele apresentou o jornal chapado no dia que eles capturaram o Bin Laden) foi extraída de uma mensagem que ele tinha deixado na caixa postal de Mac.
                Resumindo: Will vê uma luz no fim do túnel, sacode a poeira e se junta com a Liga da Justiça pra ir tirar satisfação com Leona. Depois de demissões pra cá, chantagens pra lá e  ofensas pra todos os lados, eles saem de lá com o aval da magnânima pra fazerem o jornal que querem e, com isso, McAvoy usa essa chance para destruir os políticos republicanos que ficam falando merda na mídia.
                Esse foi o drama principal da série inteira e o foco do episódio (vou contar o resto ainda, calma) e, só disso, já consigo tirar alguns dos pontos irritantes que me chatiaram (sic). Por exemplo, aquela baboseira de Dom Quixote e Camelot e o caralho a quatro que Will e Mac ficam fazendo todo episódio; como já mencionei a Mac, vou aproveitar pra dizer que os comentários deslocados que ela solta eram fofos no início, mas, depois de um tempo, soam ridículos e infantis, além de nada engraçados e forçados; o drama todo do Will que eu já comentei; e, mais uma vez, a mania de grandeza desses dois que só aumenta com os episódios.
                Indo pra outra parte decepcionante/broxante da série, temos o... o... o polígono (?) amoroso entre Jim, Maggie, Don, Lisa e agora Sloan.  Ao invés de tentar explicar o que aconteceu, prefiro citar Mac: Maggie está morando com Don (que resolveu tomar tenência na hora errada e fez essa proposta pra menina), apesar de que ela deveria estar com o Jim e Don com Sloan. A parte mais estranha disso tudo é que eu nunca reparei em nenhuma cena da série que sugerisse a existência de qualquer clima amoroso entre Don e Sloan, então acho que eles tinham que arranjar alguém pra ele e viram que a Sloan tava de bobs no elenco, otherwise não vejo sentido.  Esse é outro ponto da série que já chegou no meu limite; eu achei que eles fossem dar um jeito nessa bagunça antes de a temporada terminar, mas resolveram enrolar esse drama (é, mais esse) pra próxima temporada, o que me passou a impressão de que a única coisa que eles focam mesmo é a história do jornal, deixando o resto dos personagens, com a exceção de Will, meio à deriva. Nem Sloan tocando na ferida e dizendo que Don até pode gostar de Maggie, mas não a ama, a história não evolui.
                Um desabafo sobre a Maggie: como se não bastasse ela ser uma das personagens mais irritantes da série, ela ainda teve a audácia de profanar Sex And The City. Mas aqui se faz, aqui se paga. Depois de ter zombado da série (eu até concordo com as coisas que ela falou, mas quem ela pensa que é pra criticar Carrie Bradshaw?), Maggie  teve que morder a língua por ter protagonizado, ironicamente, uma cena típica do extinto seriado, onde Jim sai correndo bem dramaticamente atrás dela até os dois se beijarem (ela toda molhada de água de poça) e falarem um monte de baboseiras um pro outro. Seriously, não me importo com o chifre do Don, mas até quando Jim pretende ficar iludindo a coitada da Lisa? Mais um ponto decepcionante da série, mas isso não chega a ser erro de roteiro ou qualquer coisa do gênero, é mais preferência pessoal. Com isso, Jim e Maggie ganham o prêmio de casal mais chato da minha vida televisiva desde Marissa Cooper e Ryan Atwood.
                Nas considerações finais, queria dar destaque pra cena em que Charlie deve ter entrado pro Guiness com o recorde de maior número da palavra “pussy” usada numa frase. Também é bom dizer que, em uma das raras exceções nos últimos episódios, concordo com Will: Leona deveria mesmo posar nua para a Playboy (gente, por favor entendam o humor aqui, heim).
                No final do final, Will descobre que era Mac mesmo na plateia do programa (aquele polêmico da primeira cena no primeiro episódio) e, de novo, ao invés de eles se beijarem e se amarem pra todo o sempre, Will surta e o momento tão esperado fica só no quase. Uma coisa que pode render na próxima temporada é esse monte de ameaça de morte que Will recebeu depois de atacar os republicanos. Quem sabe assim a série esquenta, com um tiroteio no estilo Grey’s Anatomy ou algo do gênero? Até lá, sinto em dizer que não pretendo continuar fazendo reviews dessa série, há não ser que ela mude. Mas não se preocupem que eu não sumo.
                Você assiste/assistiu The Newsroom? Concorda ou discorda de alguma coisa que eu critiquei/exaltei ali em cima? Então faz o favor de comentar aqui. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CONTROLE REMOTO: The Newsroom - episódios 7, 8 e 9



                Indo contra as minhas expectativas, esses três episódios de The Newsroom deram uma reviravolta e me fizeram questionar várias coisas que eu já tomava como certas na série. Desde um episódio mais suavizado, onde todas as histórias ficaram on hold, até coisas mais pesadas e uma antipatia crescente que eu comecei a sentir pelos personagens que eu amava.
                Uma das coisas que mais tem me irritado na série é o desprezo de Will e Mac por qualquer outro tipo de jornal ou jornalismo que não seja o mais-que-perfeito que eles fazem. Jornalismo impresso não é bom o suficiente, entretenimento não é bom o suficiente e nem economia às vezes chega a ser tão importante assim (vide a coitada da Sloan), pelo menos não tanto quanto desacreditar um político que não atenda às expectativas dos dois (Jim também não fica de fora dessa). Isso tudo, combinado com aquele patriotismo que eu já comentei ser excessivo na série, começa a dar um tom maçante na série.


                Tirando o desabafo com a superioridade intelectual, outra coisa que tem me irritado é esse triângulo formado por Jim, Don e Maggie – que virou um quadrado com a coitada da Lisa na outra ponta. Sério, quantos chiliques de ciúmes a Mag ainda tem que dar pra que ela e os outros dois percebam por quem ela tá apaixonada de verdade? Eu, que sempre torci pra Maggie largar o Don e ficar com o Jim, comecei a gostar dos dois juntos só por eles se merecerem mesmo. Pelo menos foi como eu me senti, até descobrir que o Don não é o santo que aparenta ser; na verdade, ele nunca aparentou ser bonzinho, então não foi nenhuma surpresa quando descobri que ele tinha “amantes”. Ainda assim, agora eu quero mais é que o Jim fique com a Lisa (mesmo achando que ele não é bom o suficiente pra ela) e, se precisar, a Maggie que termine sozinha.  Serinho, ficaria feliz com um spinoff ou um websode só com a Lisa. O nervosismo dela quando é entrevistada por Will (vou explicar melhor mais a frente) e o fluxo de ideias atrapalhadas são umas das coisas que me fazem gostar mais da personagem por ela ser tão “humana”, sendo que as mesmas características na Maggie fazem dela uma mulher chata e infantil.

Brian de boa na lagoa

                Continuando no ramo dos relacionamentos, temos Will e Mac, com um acontecimento novo que tira a sotryline da mesmice (alguma coisa aqui tem que agitar, né?): finalmente conhecemos o pivô da separação dos dois. Brian, o ex de Mac com quem ela traiu Will back in the day, aparece como um jornalista disposto a fazer uma matéria de capa para a New York Magazine sobre o Newsnight. Depois de deixar um climão entre o âncora e a produtora e aceitar as condições do Will de não mencionar o relacionamento que teve com Mac, Brian acende a lâmpadazinha de ideias que ele tem e consegue capturar o drama que Will vem passando nos últimos meses (ou episódios), o que deixa duas questões:  será que will contratou Brian pra descobrir essa polêmica toda? Sim. Será que Brian vai conseguir, de alguma maneira, salvar o emprego de Will ao expor Leona e, talvez, o esquema de hackeamento que o filho dela vem fazendo? Pra isso ainda não temos resposta, até porque o jornalista ainda não deixou claro se suas intenções ao escrever a matéria são favoráveis ou prejudiciais ao jornal. Meu palpite é que independente do lado que ele escolher, essa matéria vai ser fundamental pro desenvolvimento da próxima temporada.


                Indo pra história geral o jornal, duas coisas legais aconteceram nesses três episódios – o 8 e o 9 são duas partes de uma mesma história. Em 5/1, eles cobrem a morte do Bin Laden, e mesmo com a apelação, é inegável que essa foi uma notícia que chocou o mundo, sendo você norte-americano ou não. E, com uma social no apartamento de Will, ele tendo que apresentar o jornal chapado porque ingeriu umas ervas de Jah, e todas as outras merdas que ele faz por conta disso, esse foi o meu episódio preferido da série até agora, perdendo talvez só pra aparição da Jane Fonda porque ela é ela.


                Jane, por sinal, volta à série na primeira parte do The Blackout. Graças a um novo personagem misterioso que aparece e se apresenta ao Charlie como “Atrasado Pro Jantar” – sério, a cena dos dois na biblioteca é aquele engraçado-constrangedor no nível de The Office – a galere do Newsnight agora tem algo para usar contra Leona. Acontece que o querido e amável do filho dela e responsável pela parte da publicidade/audiência do jornal, Reese, vem usando um sistema do governo para hackear, sem autorização, celulares e computadores de celebridade para conseguir as histórias do TMI (a versão da série pro TMZ). Com essa carta na manga, Charlie tenta avisar Leona pra dar uma maneirada na caça a Will, mas recebe uma bela duma desprezada à la Jane Fonda. Por sinal, o quão maravilhoso é ouvir aquele tom de voz tipicamente irônico dela dizendo “o mundo precisa saber se a Taylor Swift está feliz ou não”.


                A outra polêmica do Blackout é a matéria que eles estão cobrindo no jornal. Como todo jornal intelectual e superior que se preze, o Newsnight não cobriu o julgamento de Casey Anthony (todo mundo lembra disso ainda, né?), ao contrário de todos os outros jornais da concorrência. Com isso, eles perderam metade da audiência e tiveram uma visitinha do Reese esculhambando todo mundo. Depois do quebra-pau Will e Charlie resolvem cobrir e dar destaque à notícia, indo contra todas as expectativas e pitis de Mac – a cara que ela faz quando vê o apoio do Will à decisão é sensacional.  De qualquer maneira, eles só aceitam ceder ao jornalismo popular (no pior sentido da palavra) porque a equipe quer inovar DE NOVO, só que dessa vez com um novo formato de debate para as eleições, onde eles não dão trégua aos candidatos e os pressionam de verdade. O único problema é que pra suspender toda a filosofia do jornal, eles precisam de dicas do sensacionalismo, e quem melhor pra fazer isso do que Don? O cara chega na sala de reuniões e dá uma aula hilária e venenosa de como cobrir um caso desses, cena que merece ser vista no repeat só pra aprender os truques de ~~jornalistas~~ como Sônia Abrão e pra poder rir de novo.
                Depois de se torturarem pra cobrir essa notícia e o escândalo sexual de um deputado, finalmente chega o dia de apresentar o novo debate pros executivos. Eu, sinceramente, não sei se eles são muito gananciosos, estúpidos ou prepotentes (ou todas atrás), mas depois da apresentação, um dos executivos surta e nega o debate à equipe, deixando todos desapontados com o trabalho em vão. Como diria Mick Jagger, you can’t always get what you want.

Lisa na bad depois da entrevista e da repercussão 

                Em observações aleatórias, temos os personagens secundários com potencial de crescimento na série. Lisa, que, felizmente, tem aparecido mais é uma das que eu gostaria que se desenvolvessem mais na série, assim como a estagiária do jornal, Tess e a namorada do Neal que eu nem sei o nome. Outra coisa que merece atenção é o chilique da Maggie (sim, outro) por causa de uma candidata que diz se candidatar porque Deus a mandou, o que deixou a menina ofendidíssima. Há também outra coisa que não tem me descido direito: o drama que o Will ainda faz por causa dos chifres que ele tomou da Mac. Por que ao invés de lidar com isso como uma pessoa normal e encher a cara de vodca, ele precisa infernizar a vida da mulher e dramatizar tanto? Já deu, né, ele gosta dela e vice-versa, a única coisa que impede os dois de ficarem juntos é essa punição eterna que ele colocou na cabeça.
                O episódio termina com a polêmica da ameaça de morte contra Will voltando, graças ao Neal. O próximo episódio é a Season Finale e tenho certeza de que isso vai se desenvolver melhor, eu só não tenho mais certeza se tem dedo hidratado de Leona nisso. No fim, temos Amy Winehouse cantando Will You Still Love Me Tomorrow por conta dos corações partidos e com essa já dá pra gente ter uma ideia da trilha sonora que a série vai ter (já teve Bob Dylan e Coldplay em episódios anteriores). Todos se preparem porque a SF promete pegar fogo e ninguém quer perder o desenrolar disso, né? Comenta aí o que você acha que vai acontecer e/ou o que você achou dos últimos episódios. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CONTROLE REMOTO: The Newsroom – os episódios 4, 5 e 6 mostram o alcance do poder de Leona



                Na última review, eu fechei o post questionando o que seria feito do News Night depois das exigências de Leona. Pois bem, chegou a hora de fazer um balanço do que acontece nos três episódios que se seguem a essas demandas.

Will x Nina
                Jane Fonda, infelizmente, não aparece de novo fazendo carão. Mas nem por isso a gente deixa de sentir a presença de Leona: ela prometeu e cumpriu. Já que Charlie e Will resolveram fazer o que bem entendem do Newsnight, ela vem toda armada como se fosse uma força invisível, atacando o âncora com dezenas de histórias inventadas e tiradas fora de contexto, transformando o cara numa figura desmoralizada publicamente, para depois poder tirá-lo do ar. Apesar de ter o rosto estampado diariamente nos tabloides e page six da vida, Will só resolve se render quando o alvo sai das costas dele e vai parar nas de Mac. Pelo menos, essa era a ideia. Ao se encontrar com a editora do tabloide, Nina Howard, para combinar os termos da extorsão à qual ele cederia para ela parar de publicar as histórias, Nina começa a ~~cantar de galo~~ pra cima dele e se fode lindamente. Ao se considerar tão jornalista quanto Will, a coitada entrou numa briga que ela não gostaria de ter entrado; depois de tomar um esporro colossal de McAvoy, ele deixa a história bem clara: nada de ceder a chantagem nenhuma e, se a fofoqueira ousasse voltar a perseguir ele ou alguém do seu staff, ela estaria destruída. Fim da história pra Nina. Pelo menos a gente tira uma lição disso, pessoinhas: contexto é a palavra-chave pra qualquer história de tabloide ou quote que vocês ouvirem por aí. Moving on.

               Uma coisa boa saiu dessa caça às bruxas contra o Will: Mackenzie tá na pista de novo. Depois de descobrir que seu peguete só queria usá-la pra ganhar publicidade na sua campanha eleitoral, a jornalista o dispensa dignamente e volta à pixta pra negócio. Apesar de nenhum avanço prático ter sido feito entre ela e Will, a gente já sabe que os dois devem ficar juntos pelo menos até o fim dessa temporada (eu espero que antes, mas como eles não deram nem um beijinho até agora, há chances de que demore mais do que o normal). Depois da cena em que Will admite ter comprado um suposto anel de noivado só pra impressionar Mac e ela por sua vez se derrete inteira com a possibilidade de que ele estava disposto a casar com ela quando eles namoravam, é só questão de tempo mesmo.


                Assim como é só uma questão de tempo pra Mag e Jim ficarem juntos. A história dos dois anda mais empacada do que a de Mac e Will. Depois de Don ter arrumado um encontro entre a roommate de Mag, Lisa, e Jim, Mag dá um dos surtos estranhos que ela dá e morre de ciúmes. Essa lenga-lenga fica até que o próprio Don começa a desconfiar que ela esteja sentindo algo pelo colega que talvez nem ela mesma saiba (ou tenha escolhido não saber por ser conveniente, porque faz favor, né, impossível uma pessoa sentir esse nível de ciúmes da outra e nem desconfiar). Isso é a única coisa nova no campo dos dois, que continuam com essa brincadeira de gato e rato os três episódios inteiros, enquanto a coitada da Lisa fica preocupada em ser fútil demais pro Jim só porque ela trabalha com moda. Querida, you’re not alone.

                Fora os romances e as chantagens, a série tá entrando naquele estágio onde a gente começa a conhecer melhor os personagens secundários. No 5º episódio conhecemos um pouco mais da história de Neal e, óbvio, aprendemos a gostar mais ainda do nerdzinho que acredita em alienígenas e no pé grande. No 6º, é a vez de a história se aprofundar um pouco mais em Sloan que, além de bonita e inteligente, se mostra uma destrambelhada também. A coitada quase perde o emprego depois de cometer uma série de erros no ar, tudo por causa de um conselho dado por Will que foi mal interpretado. Dessa confusão também surge algo positivo: a primeira vez que o Don se mostra uma pessoa tolerável. Quando Charlie vem todo emputecido pra cima de Sloan por causa da burrice que ela fez no ar, Don chega cheio de solidariedade e ombro amigo pra ela, pra variar um pouco. No final, tudo dá certo e os danos colaterais são contidos, Sloan continua na equipe e o jornal segue pra frente.

                 Em outras observações aleatórias e necessárias sobre esses episódios: aquela coisa de “vamos todos amar os EUA porque é um país ótimo e blablabla” tá diminuindo (ou pelo menos eles não estão fazendo isso de uma forma tão explícita como antes), pra felicidade geral; a segunda “participação especial” da série também é puro amor, com o querido Terry Crews (sim, o pai do Chris) interpretando o segurança engraçadinho do Will; falando em Will, também contam um pouco da infância dele, e descobrimos que o cara teve um pai alcoólatra e violento quando pequeno, o que provavelmente contribuiu pra esse senso de justiça que ele tanto procura; e, por fim, mais uma cena pra você amar a Mackenzie (se ainda não ama): ela como grande parte da população do mundo não entende nada de economia e precisa de algumas aulinhas com Sloan pra algum programa que ela vai participar. Parece besteira, mas é bom saber que eu não estou sozinho nessa ignorância.

               O 6º episódio termina com a polêmica de uma ameaça de morte que o Will recebe através de um comentário no site, que tinha até o endereço do apartamento dele e tudo. Pois bem, eu sinto cheiro de perfume importado de Leona nisso, algum tipo de estratégia pra ele sair do ar, não sei. Posso estar enganado, mas o único jeito de saber é continuar assistindo. ESTAMOS DE OLHO.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

CONTROLE REMOTO: o segundo e o terceiro episódio de The Newsroom fazendo justiça ao piloto


                Vou confessar que eu tava morrendo de medo de ter meu coraçãozinho partido e de The Newsroom ter feito um piloto bom só pra me iludir, mas fico feliz de dizer que eu me preocupei à toa (por enquanto, ao menos). Depois do piloto, os dois episódios seguintes mostram as consequências das escolhas de Will e Mackenzie em transmitir um jornal utópico que fosse imparcial e só dissesse a verdade, doa a quem doer.

                Apesar de tudo ter dado errado no segundo episódio (graças à sonseira de Maggie, que depois consegue se redimir no próximo episódio), no terceiro podemos ver “o monstro” Will McAvoy em ação, disparando farpadas pra todos os lados e criticando quase todos os políticos que encontra pela frente (estratégia inteligente de a série se situar em 2010). Como se não bastasse a língua afiada de Will, o time que o acompanha ainda o ajuda a não perder nenhuma oportunidade que possa aparecer. O exemplo disso é a nova jornalista contratada por Mac, apelidada de ”Victoria’s Secret”, que consegue (a princípio) o emprego só pelo “carisma” que atrai o público masculino (duas coisas sobre isso: 1-Mackenzie é boa, mas não é boba. 2- eu prefiro alguém no estilo do Anderson Cooper na TV, mas isso é questão de gosto). Interpretada pela queridinha da Playboy, Olivia Munn, Sloan prova ser mais do que um simples par de pernas no terceiro episódio, quando abre os olhos de Will para um furo que ele tinha deixado escapar e que é fundamental para o desfecho do episódio.
Sloan (Olivia Munn) e Will (Jeff Daniels) na bancada do jornal
                Desfecho, por sinal, que tem tudo a ver com a brilhante aparição de ninguém mais ninguém menos do que Jane Fonda [inserir coraçõezinhos]. Fonda se une ao elenco para interpretar Leona Lansing, a fodona-toda-poderosa-dona-de-tudo da emissora onde o jornal de Will é veiculado. Tá, ela passa o episódio quase todo fazendo carão e expressões dramáticas enquanto Charlie e o “cara que só se preocupa com a audiência”, também conhecido como o filho da Leona,  discutem se o jornal tem ou não criado problemas para a emissora – óbvio que Charlie tenta ~~tapar o sol com a peneira~~. Mas, quando ela finalmente abre a boca, praticamente na última cena do terceiro episódio, Leona quebra o pau e dá o ultimato: ou Will maneira nas acusações ou ele é despedido.  Ou, nas palavras dela: do you wanna play golf or do you wanna fuck around? Quem viu o episódio vai entender a metáfora que é muito grande pra eu explicar aqui, perdão.
Fonda como Leona
                Pois é, galere, foi bom enquanto durou. Agora sim a série ficou mais realista, porque eu duvido que alguém no mundo de verdade falaria metade das coisas que Will falou numa rede nacional por seis meses sem nenhuma consequência além de “perda de audiência”. O interessante será ver como ele e Mackenzie reagirão a essa notícia, mas isso fica pro próximo episódio. 


                 Indo para o paralelo dramático-amoroso da série, tudo continua praticamente na mesma. Descobrimos que Will e Mac terminaram porque ela o traiu com o ex-namorado (e só aí que ela percebeu que gostava era do Will, olha que conveniente!) e que, apesar de claramente ainda existir alguma coisa entre os dois, a gente ainda vai ter que esperar pra ver quem vai ser o primeiro a dar o braço a torcer. Por sinal, as cenas de ciúmes que Mac protagoniza quando vê Will saindo para encontros são praticamente cenas de documentário (alô Globo Repórter, já dá pra fazer uma sexta com o tema “Ciúmes: por que sentimos, como reagimos e o que faremos?”). Maggie e Jim também continuam na mesma, com ele tentando investir e ela voltando toda hora pro babaca do Don. Também já sabemos que ela sente alguma coisa por Jim depois da cena do ataque de pânico no telhado. A pergunta é: O QUE ELA TÁ ESPERANDO PRA LARGAR O DON???

~~climão~~
                 Depois de a realidade ter batido à porta na pele de Barbarella, só nos resta mesmo esperar pra ver como a equipe do News Night vai sair dessa. Mas já temos o alívio de saber que a série não deve perder a qualidade com a qual nos “mimou”. YAY pra renovação da segunda temporada!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CONTROLE REMOTO: The Newsroom, a Mad Men para jornalistas



                Os primeiros 5 minutos de The Newsroom, nova série da HBO, já dá uma prévia de como será todo o resto do episódio (ou da série): três âncoras (jornalistas, obviamente) estão dando uma entrevista, em uma espécie de debate, e respondendo perguntas da plateia; enquanto dois deles discutem fervorosamente, o outro (Will McAvoy, interpretado por Jeff Daniels) dá apenas respostas evasivas e tenta não se comprometer muito, parecendo um pouco idiota perto dos colegas, até que uma adolescente os pede para explicar em uma frase por que os Estados Unidos é o melhor país do mundo. Will, tentando se livrar da pergunta com uma piadinha (ele responde “The New York Jets”), é pressionado pelo entrevistador até dar uma resposta séria. Inspirado por uma mulher misteriosa na plateia (a qual não sabemos se realmente está lá ou se é fruto da imaginação de Will), ele despeja um monte de verdades e desilusões sobre o país, em um discurso que é considerado pelos outros, no mínimo, anti-patriota, afirmando que os Estados Unidos não é o melhor país do mundo.  A reação do público a essa declaração é caótica, e podemos ver então que Will não é nem de perto o retardado que ele parecia no início do debate (ele foi até chamado de “o Jay Leno dos âncoras de jornais – popular por não incomodar ninguém).

Will McAvoy no meio do debate ~~polêmico~~
                E Newsroom é assim, cheio de reviravoltas e cenas que prendem o fôlego do espectador. Ao longo do episódio vamos vendo as consequências desse discurso e conseguimos conhecer Will um pouco mais. Descobrimos que ele é um chefe rude e que não tem o mínimo de consideração pelo resto da equipe, mas também podemos ver que Will é um profissional mais do que competente na sua área, competência que fica mais clara na sequência final do episódio. Seu ponto fraco é Mackenzie McHale, uma jornalista com quem teve um caso e que, por razões até então desconhecidas, feriu o seu ego, mas está de volta para trabalhar com ele na sua nova equipe (a antiga o abandonou para se trabalhar em um novo jornal, com um chefe menos explosivo e ingrato).
Mac e Will
               Mac, por sinal, é a minha personagem favorita até agora, apesar de ser difícil escolher só um, já que quase todos os personagens são engraçados e carismáticos da sua própria maneira. Mac chega na equipe para dar uma repaginada na imagem de Will e do próprio jornal, já que ambos se tornaram “entediantes” até para o dono da empresa, e a reputação do âncora está em um estado crítico depois do discurso anti-América que ele soltou; temos Margareth, a assistente (recém-promovida) atrapalhada no estilo O Diabo Veste Prada, feliz de as pessoas saberem o nome dela corretamente; temos também Don, o namorado escroto de Margareth, que não dá muita atenção pra coitada e, na real, é escroto com uma grande parcela do elenco; daí vem Jim, um dos jornalistas que chegaram agora na empresa com Mac, e que se interessa por Margareth (o romance foi sugerido por Mac, mas no final do episódio temos a impressão que a coisa foi acontecendo por vontade própria) ao mesmo tempo em que começa a ter uma rivalidade com Don; e ainda tem Charlie Skinner, o chefe boa  praça do jornal televisivo que tenta acalmar os nervos de Will em relação a Mackenzie.
o elenco de Newsroom fotografado por Annie Leibovitz
                A série pode ser considerada como uma versão mais bem-humorada de Mad Men, só que baseada no jornalismo e não na publicidade. Assim como a série da AMC, aqui também podemos ver as brigas de egos entre profissionais da comunicação, as dificuldades de subir na carreira, os diálogos inteligentes, as piadas de humor negro (nem a crise econômica ficou de fora) e as piadas referentes à profissão (“é melhor eu cobrir furacões”). E, ainda no quesito “similaridades com Mad Men”, há a visão mais realista e menos patriota da nação americana, além de um embate entre Mac e Will, este totalmente descrente na sociedade em que vive e a outra com uma visão quase romântica do país; o desenrolar desse conflito pode vir a ser algo interessante: será que Will volta a acreditar no país em que vive, ou será que alguma merda vai acontecer e os dois se transformarão naquelas pessoas amarguradas e desgostosas com a vida? Só nos resta assistir.
Aaron Sorkin no cenário de The Newsroom, fotografado por Annie Leibovitz
               Como se tudo isso acima não fosse suficiente, ainda tem a cereja do bolo: a série é escrita por Aaron Sorkin (o mesmo de A Rede Social), o que, junto com a direção, consegue dar o tom certo entre drama e humor, sem descaracterizar ou diminuir um dos dois. E isso é tudo (ou quase); acho que consegui resumir, de uma forma nem tão concisa assim, o porquê de eu me apaixonar de cara pela série. Se você não gostou, gostou, ou quer saber de mais alguma coisa, comenta aí embaixo.