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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

DÁ O PLAY: Ellie Goulding - Halcyon




                Assim como em Lights, Halcyon é um álbum difícil pra você se desapegar. Talvez seja a densidade emocional que as letras apresentam, talvez seja a diversidade de gêneros musicais dentro de um único CD (ou às vezes dentro de uma música só), mas o fato é que esse é um álbum propício para várias situações e sentimentos, daí a dificuldade de escutar outra coisa.



                Halcyon é um álbum sobre, acima de tudo, esperança e, ao mesmo tempo, superação. Ellie agora tomou às rédeas da sua vida e das suas emoções, ou pelo menos é isso o que ela tenta transparecer aqui. E mais, quando ela afirma que não tem medo de cantar sobre suas emoções e de mostrar um lado sombrio dos seus sentimentos, ela tá falando sério. Halcyon muitas vezes se refere à morte, sangue, perdas e coisas “pesadas”, mas ao mesmo tempo em que Ellie cava esse poço emocional, é como se ela fosse encontrando uma luz no final e aprendendo a lidar e aceitar todos esses sentimentos, até superá-los e se sentir bem. O álbum traz um tipo de dor e sofrimento que é bom em vários sentidos, e o melhor deles são as lições de superação que algumas músicas passam, como se houvesse certo tipo de respeito pelo momento de fossa num rompimento, mas mostrando que a hora de "levantar" chega mais cedo ou mais tarde. Um detalhe que torna isso tudo mais interessante é saber que as músicas começaram a ser escritas depois de um rompimento (nem brinca, hein) e terminaram depois que ela já estava junta e apaixonada pelo Skrillex, OU SEJA, tá tudo explicado.
                Agora, não espere encontrar só um tipo de música aqui, porque como eu disse, Ellie não se encaixa num só estilo musical. Ao mesmo tempo em que Halcyon tem o antigo violãozinho dela na maioria das faixas, ele também conta com elementos completamente diferentes, como o dubstep, sintetizadores, pianos, toque de euro dance, instrumentos que surpreendentemente lembram música gospel e outras coisas que eu nem sei identificar. Mas uma coisa é certa em todas as músicas: o grande atrativo é a voz de Goulding, graças à capacidade que ela tem em passar a emoção das letras que canta de uma maneira que te faz sentir o mesmo, capacidade essa que é fundamental na diferenciação entre um cantor bom e um medíocre.

Infelizmente, Ellie ainda não pode ser considerada uma artista tão mainstream assim, mas uma prova de que o sucesso dela vem crescendo de forma exponencial é a participação na soundtrack oficial do último filme da série Twilight (amém que esse é o último), o que coloca a inglesa num patamar onde bandas como Paramore, Muse e Florence and The Machine já estiveram. A publicidade e visibilidade que ela ganhará com isso é um dos fatores pra eu acreditar que no próximo álbum ela chamará ainda mais atenção, transformando Ellie num grande nome em escala mundial e não só no Reino Unido (sim, ela faz sucesso nos EUA, mas nem se compara ao sucesso que ela faz na terra da rainha). Daqui pra frente é só questão de divulgação e pronto.
Tudo isso dito, review track by track aqui embaixo, como de costume. As favoritas tão com um asterisco, mas já vou avisando que gosto de todas e a maioria tá marcada porque não é fácil escolher só uma ou duas:



                - Don't Say A Word: uma perfeita faixa de introdução pra te colocar no clima do resto do álbum. Com vocais bem trabalhados, a música abre com a pergunta: “what if you never said anything?” em meio a sons que te fazem imaginar uma atmosfera etérea, até que começam uns tambores e, a partir daí, o ritmo só vai crescendo. Quando a última parte começa, você sente o tom otimista das palavras dela, em versos como “I'm more alive than I've ever been” e “I've chosen you, but don't say a word”.

               - My Blood: usando metáforas de morte pra poder se referir a um relacionamento que sugou todas as suas energias, Ellie mistura guitarras acústicas com elementos de dance, enquanto a música passa uma mensagem de libertação, que fica evidente enquanto o refrão vai se repetindo e versos como “I'm not dying but I breathe now” evidenciam que, apesar do sofrimento todo, ela agora está 'livre'. Como eu disse, um álbum sobre esperança e essa coisa toda. 

                - Anything Could Happen*: como primeiro single, já lançado há um tempinho, nem preciso explicar muito. O vídeo em si já mostra as ideias de Ellie quanto a anything could happen, e apesar de a maioria das outras músicas terem sido escritas após um término doloroso, essa é a faixa da ~~volta por cima~~ e, vou te falar, tá entre as melhores composições dela.

                - Only You*: uma das mais felizes e divertidas do álbum, cheia de declarações fortes que soam apaixonadas e enraivecidas ao mesmo tempo. Fora os versos inteligentes, o que eu mais gostei foram os "hms-hms" no fundo, diferente do resto do álbum e mostrando onde foi parar a influência que ela buscou na Grimes. Consigo até ver o pessoal de Glee estragando a música no futuro.

                - Halcyon*: a primeira coisa que eu pensei, foi: essa pode ser uma espécie de continuação pra Guns and Horses. Captura perfeitamente a vibe de superação e esperança que eu tinha dito acima e que tá presente no álbum inteiro (nada mais natural do que a faixa-título passar essa ideia, né?). Ao contrário da esperança presente em Joy, onde ela aceita e entra em termos de paz com o fim, aqui ela tem certeza de uma reconciliação e de que o sentimento entre os dois ainda existe (“I know it’s not over, baby I worked this out for sure”), mesmo com a falta de empenho do outro. Acompanhada pelo violão que vai te dizendo com a mesma veracidade que “its gonna be better” em cada repetição da frase.

                - Figure 8**: se me pedissem pra escolher uma faixa que mostrasse a influência do Skrillex no trabalho da Ellie, essa seria a premiada.  Com uso pesado de sintetizadores e dubstep, a cantora coloca o violão de lado e mostra uma necessidade incontrolável de ter a pessoa que ama, perseguindo o amor do outro num loop infinito (pra quem, como eu, não sabia o que é figure 8, é o esse símbolo aqui: ). Mesmo com frases amargas (“Lovers hold on to everything/Others hold on to anything” ou “You promised forever and a day/And then you take it all away”), é definitivamente uma das mais dançantes do álbum, perdendo só pra I Need Your Love. Top top das preferidas também.

                - Joy**: pelo início, você quase pergunta se o nome da música é uma pegadinha do malandro, mas esse é um dos melhores exemplos sobre o clima de ~~superação~~ do álbum. Com a voz terrivelmente emocional na primeira parte, é como se ela mostrasse como se sentiu quando foi abandonada na chuva, bem "far from joy". Incrível como a voz muda completamente e se torna mais forte quando ela “figured out the joy is not in your arms”, mesmo que ela sempre tenha um "coração dolorido". A prova final de ~~força~~  vem no último refrão, quando backing vocals se juntam a ela e a batida fica mais alegre. Pra terminar bem, Ellie solta uns gemidinhos que praticamente dizem: "tô feliz".

                - Hanging On: fiz quando saiu, amigos. A única diferença é que na versão do álbum (ao menos a standard), não tem o rap do Tinie Tempah.

                - Explosions*: um coral no início te transporta pra dentro de uma igreja e, à medida que versos como "I've loved and I've lost" são repetidos, você sente aquela tristeza na voz da Ellie te invadindo, até que a música explode num piano e no grito dela, contando as “explosões do dia em que você  acorda precisando de alguém”. Essa emoção toda se multiplica no último refrão, entonado com fragilidade e um pouco de esperança, depois de metáforas que, de novo, sugerem a morte de alguém (“And as the flood moves in/And your body starts to sink” e “I pray that you’ll find peace of mind”), o que justificaria o coro de igreja no início, né? Sem dúvidas é uma música sobre perdas, sejam elas definitivas (como a morte) ou não, então não adianta esperar mensagem de “melhoras” aqui porque não tem (o último verso é “it will never be the same”), o que deixa essa como uma das melhores baladas do álbum.

                - I Know You Care: também já fiz. Só queria acrescentar algo que descobri  posteriormente: a produção e os backing vocals dessa faixa são assinados pelo Justin Parker (o cara por trás de Video Games e outras tantas da Laninha), então a depressão simples mas bem orquestrada da música já tá justificada.

                - Atlantis: por mais cafona que isso seja (e eu sei que é muito), a voz de Ellie nessa música te faz imaginar uma daquelas sereias mitológicas que encantavam os marinheiros com o canto. Soando absurdamente delicada, ela se declara em versos vulneráveis e apaixonados, deixando impossível que alguém resista a tanto amor jogado na cara assim. Nos versos finais, ela admite a derrota contra o sentimento e se declara uma última vez: “I'm defeated, I'm fooled, I can't help it, you make my heart so helpless”.

                - Dead In The Water*: toda a dor, o lado obscuro e o conforto no sofrimento que ela diz ter sentido enquanto escrevia Halcyon encontram seu ápice nessa música. Aqui não tem mensagem de superação, não tem luz no fim do túnel, não tem como ela fugir do que sente. Com um piano e uma voz que parece beirar o choro, as metáforas dispensam explicações e o sentimento de abandono é inegável. A parte final é mais repleta de melancolia do que as outras, se possível, com uns gritos similares aos de um animal ferido. Com certeza essa é a música mais triste que eu já ouvi dela, e não só desse álbum, mas do Lights também. Recomendo que escondam as cordas, facas e, mais importante, os celulares da casa quando ouvirem.

                - I Need Your Love (Feat. Calvin Harris)**: é ótimo ver como dois artistas geniais, de meios diferentes, conseguem fazer uma música que atenda às expectativas de suas respectivas bases de fãs. Ao mesmo tempo em que você encontra aquelas batidas e aqueles sintetizadores típicos do Calvin Harris, I Need Your Love também tem não só um dedo, mas a mão inteira da Ellie Goulding nas letras. Com versos que mostram uma saudade dominadora (“I've been a stranger ever since we fell apart/ Hold me in your arms again”) o momento épico é o refrão, onde os versos são simples, mas significativos (“I need your love” [...] “When everything's wrong you make it right”) equanto Calvin Harris te manda dançar, fazendo com que você mova no mínimo o pezinho embaixo da cadeira.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

DÁ O PLAY: Sky Ferreira, Banda Uó, Calvin Harris, Will.I.Am e No Doubt



                Desde o início do ano que já dava pra saber: setembro promete. Tem o retorno do No Doubt, o primeiro disco da Banda Uó, o segundo do The XX (que já vazou), o da Ellie Goulding (que eu espero que vaze esse mês ainda), um novo de inéditas da Pink e mais um monte de singles aleatórios e promissores por aí.
                O fim de agosto e esse início de setembro já foram movimentados. Alguns artistas lançaram os carros-chefes dos discos (Taylor Swift, Alicia Keys e Muse, por exemplo) – uns me surpreenderam, como Sky Ferreira -, outros lançaram o segundo single ou até mesmo alguma música de divulgação e praticamente ninguém ficou parado.
                Desse meio tempo, eu escolhi cinco faixas das minhas preferidas (com uma exceção) dentre esses lançamentos pra mostrar aqui e lá vai:


                - Calvin Harris – Sweet Nothing (Feat. Florence Welch):  a música que eu mais esperava de todos os lançamentos e a que eu já tinha decidido como minha preferida deles, quase foi isso tudo. Depois do remix que o Calvin Harris fez pra Spectrum, eu já sabia que uma colaboração dos dois pro CD dele seria mais dançante do que qualquer trabalho feito pela Florence, mas o que me deixou feliz foi que nenhum dos dois se perdeu na parceria. Apesar de ser uma música típica do Calvin Harris, você ainda vê a identidade da Florence nela: os versos dramáticos, o poder vocal, e as batidas alternadas entre um dance frenético e algo mais desacelerado no “It isn’t easy for me to let it go”  (a maioria dos singles da Florence são assim também, é só reparar em Shake It Out, Dog Days Are Over e No Light, No Light –  por mais explosivas que elas sejam, há sempre uma estrofe mais calma no meio ou no início). O único contra disso tudo é a farofização da Florence, porque com certeza essa música vai estourar nas rádios e o povão vai todo chegar falando que ama ela de paixão e que “nossa, você conhece a Florênce? Eu AMO ela!”.  Enfim, nada que a gente não consiga suportar.






                - Sky Ferreira – Everything’s Embarassing:  essa foi a que me pegou de surpresa. Depois do lançamento de Red Lips (que, na minha cabeça, era o primeiro single do primeiro álbum dela), eu tava pronto pra um LP inteiro da Sky, quando, do nada, descubro que Everything’s Embarassing é o primeiro single do novo EP (sim, mais um) Ghost, que sai no iniciozinho de outubro. A música fala sobre um relacionamento que não deu certo, apesar das tentativas. O ritmo é meio mortinho, e eu não consegui entender se a intenção era fazer algo triste ou dançante, mas funciona mais por lado dançante. Talvez a culpa seja dos produtores Blood Orange (que já trabalhou com a Florence em Never Let Me Go) e Ariel Rechtshaid (que já fez colaborações com No Doubt, Major Lazer e Usher), os responsáveis pela faixa e donos de estilos um pouco diferentes. Apesar da estranheza a princípio, eu gostei da música, só tomei um susto por não ser o tipo de som que eu esperaria dela. Esperemos pelo EP inteiro para julgar,  já que por enquanto eu fiquei parcialmente satisfeito com Everything’s Embarassing.






                - No Doubt – Push And Shove (Feat Major Lazer e Busy Signal): a preferida de todas e que não saiu do repeat desde o dia que ouvi! Não sabia muito bem o que esperar dessa música depois do remix que o Major Lazer fez pra Settle Down e que não me agradou muito, mas a produção do Diplo foi imbatível aqui. A música mistura rap, algo de reggae, umas guitarras e bateria de rock, com um ritmo que começa gritante e alegre, passando pela voz arrastada e triste da Gwen no refrão e terminando com uma acelerada meio conformada, como se ela jogasse a toalha ao dizer “Have fun if that’s what you want/Let’s fight if that’s what you want”. O melhor é que a música consegue passar um pouco de desespero pela voz da Gwen, ao mesmo tempo em que é divertida (aquelas buzinas no fundo poderiam ter soado aleatórias em outras músicas) e, por que não, dançante. Confesso que não conhecia e não fiz questão de começar a conhecer esse Busy Signal, mas nem ele fica deslocado na música. Depois dessa suruba de ritmos numa faixa só, tô botando fé que o Push and Shove vai ser um dos melhores álbuns do ano.





                - Will.I.Am – Reach For the Stars: óbvio que essa é a que eu não gostei mas postarei (tudo pelas rimas). O negócio é o seguinte: rumores disseram que ele ia vazar a parceria com a Britneyde esse fim-de-semana e eu tava crente que ia postar música nova dela aqui, mas só que não. Com isso, resolvi comentar a prepotência desse queridinho de lançar uma música de Marte.  O melhor de tudo é ele achando que é um Kanye West da vida e tentando dar um tom épico a música e conseguindo o efeito contrário, fazendo com que a produção pareça barata e desleixada. Eu até gostei do coral no fundo, mas ainda acho que ele deveria ter ficado naquilo que ele é melhor: fazer música pra nightclub e olhe lá.






                -Banda Uó – Búzios do Coração: comecei a gostar de Banda Uó há pouquíssimo tempo, mas a cada música nova que eu conheço eu me apaixono mais. Hoje o CD deles, Motel, estreou em primeiro lugar no iTunes e, como essa música vazou semana passada, foi ela que eu escolhi. Ela não é animada como Faz Uó ou Malandro, é mais uma baladinha apaixonada que, não sei por que, me lembrou de alguma música do Netinho na micareta (todos têm um passado negro, ok). Dá o play aí e vomite coraçõezinhos.


                Gostou de alguma música, acha que faltou alguma coisa? Comenta aí que eu ~~analisarei~~.
                

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DÁ O PLAY: A vez dos DJ's



                Você provavelmente já ouviu músicas produzidas por eles ou inspiradas neles, alguma participação, algum remix oficial de um artista que você goste, mas nunca ouviu o trabalho pessoal deles. Aqui eu escolhi cinco DJ’s/produtores que têm músicas próprias bacanas e um som melhor ainda, mas são pouco conhecidos. Dá o play.


- Diplo: esse é um dos meus preferidos.  O som de Diplo, de acordo com o próprio, sofre grande influência do funk carioca, vide Bucky Done Gun da M.I.A., que é quase um proibidão (por sinal, ele é responsável pela produção de várias músicas da cantora, com quem ele já foi casado num passado não muito distante). O cara veio ao Brasil ano passado e fez uma reportagem especial e super legal pra Vanity Fair, onde ele explora o lado cultural dos brasileiros e diz (como vários antes dele) se apaixonar pela mescla de sons que existem no país, além de se confessar um fã de Techno brega. Thomas (nome de verdade dele), até chegou a tocar na Fosfobox e comentou que o Rio é o epicentro cultural do Brasil. *palmas* Como se não fosse razão suficiente pra amá-lo, é de autoria dele um dos maiores hits do ano passado, Girls (Run The World) da Beyoncé (e Exageraldo do MC Naldo por tabela). A sample usada na faixa vem da música Pon De Floor, do projeto paralelo que ele comanda, Major Laser. Beyoncé ouviu a música – que começou como uma brincadeira – e logo de cara se apaixonou pelo ritmo e trabalhou em cima dele. Daí pra frente todo mundo já sabe o que aconteceu. A parceria deu tão certo que ele chegou a produzir outra faixa do 4, End Of Time, que quem conhece, ama. Além de DJ, produtor e comandante do Major Lazer (que começou como uma parceria com Switch, mas acabou ficando nas mãos de Diplo), o americano lançou esse ano mais um EP pessoal, o Express Yourself. Pra divulgar o primeiro single de mesmo nome do EP, Diplo lançou uma brinks pelo twitter onde as pessoas fazem a ~~pose~~ do vídeo (pra entender melhor, favor assistir ao vídeo aqui embaixo) e mandam uma foto pra ele com a hashtag #ExpressYourself. Já teve gente do mundo inteiro, tanto homem quanto mulher, participando disso e eu, obviamente, achei a ideia genial e quase mandei uma foto também. Se você ficou curioso, aqui embaixo tem uma música do Express Yourself (Barely Standing, com participações da Sabi e de Datsik), um remix oficial de Circus da Britney e uma que ele produziu (Beat Of My Drum, da Nicola Roberts) pra você ouvir e entender do que eu tô falando, fora a recomendação implícita das que eu já citei aqui em cima.

Express Yourself
Barely Standing
Circus
Beat of My Drum



-Skrillex: vou ser bem sincero e já avisar que Skrillex ou você ama ou você odeia, não tem meio-termo. A especialização do cara é o dubstep, aqueles sons que você tem que saber mexer muito bem pra não criar uma dor de cabeça em quem tá ouvindo. As músicas dele são bem-humoradas (ouça Kill Everybody aqui embaixo pra entender melhor), extremamente dançantes e diferentes da música eletrônica convencional graças ao dubstep. Não sou muito fã dos primeiros EP’s dele, porque eles me parecem meio barulhentos demais - mesmo que algumas músicas sejam ótimas.A questão é que depois que você ouve Bangarang, o EP que ele lançou no ano passado, você fica mal acostumado e espera que o trabalho todo do cara tenha esse nível de qualidade. As músicas são bem diferentes entre si, mas sem fugir da estética pela qual ele ficou conhecido, indo desde um “remix” do The Doors até uma parceria com Ellie Goulding (namorada do sortudo). Sem dúvida, esse EP é a obra-prima do DJ até agora, com o dubstep usado na medida certa, além de faixas que começam despretensiosas e depois passam a ter uma batida alucinante (The Devil’s Den é um dos exemplos). Pra você ouvir, tem Summit (a parceria com Ellie), Breakin’ a Sweat (o remix do The Doors, com trechos de Light My Fire) e Do Da Oliphant, uma das que eu mais gosto do EP My Name Is Skrillex, de 2010.

Summit
Breakin A Sweat
Do Da Oliphant



-Avicii: #6 na lista de DJ’s da DJ Magazine, o sueco Avicii atingiu o topo das paradas europeias no ano passado com o single Levels, que usa uma sample de Something’s Got A Hold On Me da Etta James – a mesma usada para Good Feeling do Flo Rida, que lembra um pouco demais Levels. Sendo bem sincero (de novo), não acho o som do Avicii muito marcante como o do Skrillex ou o do Diplo; as músicas chegam até a me lembrar de uma versão mais “calma” do Calvin Harris, mas ainda assim dançante- talvez pela influência do Daft Punk e do Fatboy Slim. De qualquer forma, marcante ou não, as músicas são boas e dão um sentimento “bom” que eu não sei explicar. O sucesso dele foi tão grande, que o último single, Silhouettes – que eu acho melhor que o Levels – ganhou um remix especial e foi usado na propaganda de jeans da Ralph Lauren. Segue abaixo esse remix, o single Levels e um remix que ele fez de Girl Gone Wild da Madonna.
Silhouettes
Levels
Girl Gone Wild




- Calvin Harris: outro dos meus queridinhos, que eu sou apaixonado desde quando um amigo me apresentou o Ready For The Weekend em 2010. Apesar de já ser um nome conhecido no espaço musical europeu há um tempo, Calvin explodiu nas rádios e no gosto popular depois do sucesso que ele ganhou com a produção de We Found Love da Rihanna (há pouco tempo ele comentou que a música tinha sido descartada por duas popstars antes de a Riri aceitar, agora cê vê, né). E você que acha que foi a primeira vez que ele trabalhou com algum nome do mainstream, tá enganado, porque também é dele a produção de In My Arms, da Kylie Minogue (confesso que não sabia e fiquei chocado quando descobri). Hoje, é quase impossível você ligar o rádio e não escutar uma música dele, seja Feel So Close (que também é usada na propaganda da Samsung SMART TV), Call My Name da Cheryl Cole, ou Where Have You Been, o novo hit da Rihanna que eu não sei por que ainda não chegou ao #1 da Billboard, mas estamos observando. Dele, eu separei um remix oficial de Spectrum da Florence and The Machine (que ganhou até um vídeo remixado junto, sinta o amor), o novo single pessoal, We’ll Be Coming Back, que a qualquer momento deve explodir nas pistas de dança também e ganhou vídeo hoje, e uma do CD que eu citei aí em cima, Stars Come Out.

Spectrum 
We'll Be Coming Back
Stars Come Out



- David Guetta: por último, a farofa da música eletrônica. Não que eu não goste das músicas dele, muito pelo contrário. Mas me incomoda, e muito, essa gente que coloca o Guetta num pedestal e acha que ele é a nata dos DJ’s. Como disse o Deadmau5 (DJ de verdade) em uma entrevista à Rolling Stone: “David Guetta tem dois iPods e um mixer e ele só toca faixas – tipo, ‘aqui tem uma com o Akon, olha só!’ [...] Ainda há pessoas que só apertam botões ganhando meio milhão. Não que eu não aperte botões. Mas eu aperto muito mais [do que os outros]”. Isso meio que esclarece a parte que me desagrada no Guetta. Agora, não sou idiota de não admitir que ele é um dos grandes motivos de a música eletrônica ter ganhado tanto espaço assim no cenário musical, mesmo com as controvérsias.  Apesar de a maioria das músicas serem parecidas, não são de todo ruim; talvez um fator que me ajude a não gostar delas, seja o fato de que todos os singles se transformam naqueles sucessos que você não consegue mais ouvir porque sempre tem alguém escutando o dia inteiro em algum lugar. De qualquer maneira, é bom quando ele pega um artista “desconhecido” e consegue fazer um super hit, como aconteceu com a Sai e o Kid Cudi. Pra quem ainda não ouviu, tem She Wolf (Falling To Pieces), o novo single dele com a Sai pro relançamento do Nothing But The Beat (ainda não decidi se melhor que Titanium ou não, mas é, no mínimo, tão bom quanto) e Revolver, que é uma das minhas preferidas.
She Wolf (Falling To Pieces)
 Revolver
Se você ainda achou pouco e quer conhecer mais DJ’s/produtores, tem o ótimo Deadmau5 – que já tocou no VMA e brigou com a Madonna por causa da polêmica da apologia às drogas; Jamie XX, da banda The XX e produtor da versão original de Take Care que foi regravada pelo Dranke; Afrojack, namorado da Paris Hilton e responsável pela nova ~~empreitada~~ da socialite na música, além de Tiesto, Steve Aoki e Kaskade.  

domingo, 24 de junho de 2012

DÁ O PLAY - Cheryl Cole, A Million lights



                A Million Lights, terceiro álbum da carreira solo de Cheryl Cole, foi lançado oficialmente esta semana, pra alegria (ou não) dos fãs que já estavam quase morrendo de ansiedade. Depois de muita especulação sobre parcerias e colaborações nas faixas do CD (nomes como Rihanna e Justin Bieber chegaram a ser cogitados), deu pra perceber como Cheryl é uma das queridinhas dos britânicos (talvez a “maior” popstar do país lançada nos últimos anos). Mas, apesar de toda a atenção dada a Cheryl, A Million Lights é, no mínimo, um álbum fraco.
A capa de "A Million Lights", fotografada por Ellen von Unwerth
              A protegida de Will.i.am aparece com um álbum pop urbano, com um excelente time de produtores e compositores (Calvin Harris, Taio Cruz, Lana Del Rey e Alex Da Kid só pra citar os mais famosos), mas erra já na primeira balada do álbum, erro no qual ela insiste em repetir ao longo do CD. O negócio é o seguinte: Cheryl não sabe cantar bem, e não consegue soltar nenhuma daquelas notas poderosas que são necessárias nas músicas que ela escolheu para gravar, o que deixa algumas músicas sofríveis, pra ser bem sincero.  Em contrapartida, a ex-Girls Aloud acerta nas músicas mais dançantes que combinam perfeitamente com o seu tom de voz e que são onde ela consegue se sobressair melhor, já que não é preciso muito esforço para cantá-las.
Cheryl no vídeo de "Call My Name"
              É o exemplo do primeiro single, Call My Name. Produzida por Calvin Harris (depois do sucesso de We Found Love parece que todo mundo tá querendo uma participação com ele, mas isso já era de se esperar), a música foi feita descaradamente para as pistas de dança, com todo aquele apelo sexy e letra pop-chiclete, indo direto pro #1 do iTunes britânico. E era aí que ela deveria ter continuado, fazendo músicas mais dançantes e sem nenhum grande desafio vocal, onde ela pudesse se apresentar com playback sem ter que fazer o resto do mundo sofrer ao escutá-la dando os gritinhos de All Is Fair. E até porque não há problema nenhum em lançar um álbum inteiro sem baladas (Blackout, o melhor CD da carreira de Britney Spears, taí pra provar isso).

                Falando sério, e sem nada pessoal contra ou a favor de Cheryl: o disco não é ótimo, mas também não é péssimo. Como eu já disse, só as baladinhas que deixam a desejar. Como um álbum pop, A Million Lights cumpre o seu papel, mas não chega a ser um marco ou um disco que você precise ouvir inteiro.  Abaixo tem uma mini-review de música por música pra vocês saberem quais que valem a pena baixar e quais que você pode deixar de lado: