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terça-feira, 2 de outubro de 2012

DÁ O PLAY: No Doubt - Push and Shove



                Depois de quase 10 anos sem lançarem material novo, eis que o No Doubt resolve voltar das profundezas de onde se enfiou para lançar um disco há muito aguardado pelos fãs, seja aqueles que curtem a banda desde os anos 90 quando Gwen ainda usava aparelho e tinha o cabelo rosa, ou aqueles que simplesmente acham legal “a banda da mulherzinha que canta Hollaback Girl”.

                Se você esperar ouvir aquele tom agressivo nas músicas, próprio de hits como Ex-Grilfriend e It’s My Life, pode esquecer. O mais perto que a banda chega disso é em Stand And Deliver, mas mesmo assim a letra não é rancorosa, só é mais pesada na produção do que as outras. Pelo contrário, o No Doubt de 2012 é o mesmo de Don’t Speak, com um álbum cheio de baladas tristes, músicas assombradas pelo passado, declarações de amor e saudades e ainda uma melancolia conformada aqui e ali.


                Mas não se preocupe, porque o disco não é como o 21 da Adele, afogado na fossa. O bom e velho rock misturado com reggae aparece em grande parte das faixas, assim como nos singles já lançados até agora (Settle Down e Push and Shove), salvando a animação do disco e até dando uma chance para as pistas de dança. É como se o hiato do grupo tivesse servido para os integrantes repensarem suas relações e o álbum fosse a terapia de grupo, onde, mais uma vez, eles colocam o que os incomoda um no outro, ao mesmo tempo em que admitem o sentimento e as saudades que sentiram.

                Apesar de continuarem fieis ao seu som original, o No Doubt sabe que tem um mercado mais jovem que talvez não se interesse tanto por uma banda original dos anos 90 e, com isso, se esforçam (mas nem tanto) para trazer um frescor mais atual às músicas: as parcerias com o Major Lazer, as guitarras de One More Summer e o vídeo ~~descolado~~ de Settle Down são prova disso. Pra mim, essa é a prova de que a banda tem a capacidade de voltar e fazer sucesso ainda hoje, sem ficar atrelada a mesma fórmula de antigamente e fazer algo que só interesse aos fãs nostálgicos daquela época. Mas, infelizmente, essa geração viciada em autotune e sintetizadores não conseguiu reconhecer o valor do álbum (ou da banda) e nem o merchandising feito por Gwen e pela Lady Gaga (sim, ela é fã confessa da banda e chegou até a mandar, via twitter, os little monsters comprarem as músicas da banda) foram suficientes para que o No Doubt emplacasse um hit no top 10 da Billboard. Por sinal, Push and Shove chegou a vender menos que o Rock Steady, de 2001.


               No Doubt tinha tudo pra conseguir o comeback do ano, mas, com o pouco esforço para agradar o público jovem, a banda perdeu o lugar para a amiguinha de palco, P!nk (que, pela primeira vez na carreira, estreou um álbum em 1º lugar). Felizmente, a cantora é amiga do grupo e até cantou um dos hits com eles no iHeartRadio, I’m Just a Girl.  O vídeo da performance tá aqui embaixo, logo antes da review faixa por faixa. E eu só queria fechar isso aqui com um pedido: NO DOUBT PRA TOCAR NO ROCK IN RIO 2013! POR FAVOR, MEDINA, MAKE IT HAPPEN.



                - Settle Down: leiam neste link, amigos.

                - Looking Hot: a Gwen de Hollaback Girl dá um oizinho nessa faixa (que parece uma versão menos sexy de Hella Good) através de uma guitarra confiante e um verso provocativo logo de início: "go ahead and look at me, ‘cause that’s what I want". E ela continua se achando a cereja do bolo ao longo da música, com versos como  . É uma ótima música tanto para dançar quanto para ouvir fora das pistas de dança, o que eu acho uma ótima qualidade para um single. Como se isso não fosse o suficiente, ainda há um break de reaggae viciante depois do refrão. Detalhe pros gritinhos de oh oh oh que ficam mais legais ainda na versão acústica da música, mas, se você preferir a versão dançante, também há um remix ótimo feito pelo Jonas Quant na versão deluxe.

                - One More Summer: começa com uma guitarra que poderia muito bem ter sido produzida pelo Jamie XX, e essa melodia vai te acompanhando de fundo ao longo da música, até que surge a bateria do Adrian Young pra dar um up no ritmo.e você lembra que é uma balada deles. Uma balada que poderia muito bem ser mais devagar (a versão acústica já mostra isso de uma ótima maneira), mas cumpre de forma excelente o papel sendo mais agitada, enquanto Gwen Stefani implora por pelo menos mais um fim de semana com seu amado (ou a banda? Não sei dizer se há como separar isso nas músicas desse álbum) numa recaída: I'm your lover, you're my weakness; I dont think I can change, I can't stay away. Seria uma ótima escolha para single, também contando com uma versão acústica e outra remixada por um dos seus produtores, Jonas Quant. Nota aleatória: Gwen e a mania dela de se comparar a estações do ano. Brinks, não sei se é a intenção, mas além de ser uma música mais emotiva, me lembrei de Early Winter em alguns versos.

                - Push and Shove: também já fiz aqui, galere.

                - Easy: Gwen não quer e não precisa de uma voz 100% afinada e sempre no tom. E essa música explica exatamente o porquê:  aqui, quando a voz dela quebra, é como se fosse pra mostrar a vulnerabilidade e toda a emoção que ela está sentido em relação ao outro. Um pop rock leve, sobre querer reatar a relação, mas não dar o braço a torcer (o “I wanna be there” é como se ela estivesse quase chorando com vontade de voltar, mas mesmo assim sem fazer nada por orgulho). A versão acústica da música só serve pra mostrar como ela poderia ser muito mais depressiva do que já é. Confesso que me deu ate curiosidade de saber os detalhes por trás do hiato da banda.

                - Gravity: mais uma sobre declarações de amor, só que com o diferencial de ter um toque meio futurista na banda, com uns barulhos de laser que são meio trash mas divertidos ao mesmo tempo (sou apaixonado por esses barulhinhos desde Hot  As Ice da Neyde, confesso). Numa época onde o amor ainda não tinha deteriorado e os problemas não tinham aparecido, Gwen repete no refrão “we’re solLucky/still holding on”.

                - Undercover: vou falar de uma vez que essa nem me chamou muito a atenção. É um rockzinho leve sobre aquele tipo de relacionamento onde o outro se fecha num casulozinho e não deixa ninguém mais entrar, o que espanta a ponto de ela não saber se quer ir “lá” e descobrir (“ I want to climb in but I can’t do it/ I’m so scared of what I might find there”).

                - Undone: apesar de começar com uma guitarra animada, é só uma pegadinha do malandro, porque de animada a música não tem nada. Eu, que achava que o No Doubt nunca faria uma música mais depressiva do que Don't Speak, me surpreendi, porque essa aqui consegue chegar ao mesmo nível da outra. Também sobre término de relacionamentos, Gwen é acompanhada por um violão e um piano à medida que se declara e se mostra insegura quanto ao fim do relacionamento, implorando pra que o outro fique (“Don’t leave me behind/ This time I need you, nothing’s feeling right”).

                - Sparkle: com mais reggae que rock aqui, essa é uma das faixas mais calmas sem ser depressiva ao mesmo tempo, como Undone. Mais declarações e questionamentos sobre um relacionamento deteriorado, Gwen sabe que os dois nunca mais serão o mesmo. Atormentada pela relação que a marcou (“You were the one with the sparkle/ and you had it all”), mas ao mesmo tempo ciente de que aquele foi o amor que a mudou com um never ever gonna be the same repetitivo no refrão. Um trompete no meio da música dá um clima mais chapado ainda pra melodia geral. CUIDADO: há grandes chances de vc dormir enquanto escuta essa música.

                - Heaven: uma faixa levezinha, também toda trabalhada na declaração de amor, onde o diferencial são umas palminhas no fundo e a guitarra que lembra The XX de volta. A parte que começa com o “don’t have to get technical, you know that i want you” e uma espécie de sininho (desculpa, mas não consegui identificar o instrumento) tocando no fundo dão uma cara toda meiga e fofa à música.

                - Dreaming The Same Dream: já começa com uma pergunta: who taught you how to love? A última balada do disco (e última faixa também), só que dessa vez de ataque. Gwen aponta os defeitos e cobra as promessas feitas pelo outro (“how many times can a promise be broken?”), mergulhada na incerteza de que os dois estão na mesma vibe ou que ele até chegue a gostar dela (“are we on the same side?/when you play around with me are we dreaming the same drem?”). E não pense que ela vai se satisfazer com qualquer coisa, porque além de incerta ela está amargurada também (“your sweet persuasion is making me weak/ and that’s a comment not a compliment”); apesar do refrão fraquinho e da morbidez da música, essa é uma das minhas preferidas, aparentemente sem nenhum motivo relevante. Um solo de guitarra depois de um verso significativo, dá vez a um refrão entonado de forma mais emotiva e trabalhado no vocal da Gwen, o que tira um pouco a melodia da mesmice e fecha o álbum com chave de ouro.


P.S.: se você quiser ouvir o CD antes de baixar pra ver o que vale a pena, a banda divulgou um link do spotify que serve pra você ouvir o álbum inteiro e concorrer a uma guitarra assinada por eles. Corre lá!

sábado, 15 de setembro de 2012

DÁ O PLAY: Rita Ora - Ora



                Provavelmente o nome Rita Ora não lhe é estranho se você costuma ouvir rádio ou se interessa por música pop de alguma maneira. Apesar do pouco tempo de carreira, Rita tem aparecido na mídia de uma forma até excessiva e o seu disco de estreia era aguardado por muita gente curiosa pra ver se havia alguma coisa além do hype.
                Confesso que sempre tive um pequeno (ou não tão pequeno assim) preconceito com ela e quando o nome “Rita Ora” aparecia na conversa eu me referia à menina como “a Rihanna wannabe”.  Apesar disso, ouvi o disco dela com o coração aberto e tentando ao máximo não julgar as músicas por esse ponto de vista, só que não adiantou nada.


                Ora é um álbum que parece ter sido feito a partir de uma batidinha de músicas e produtores pop jogados num liquidificador e misturados de uma forma meio aleatória. O próprio estilo da Ritinha na indústria é assim, meio misturado com nada de novo ou único que seja a marca dela. O pior de tudo é que ela tem capacidade vocal pra ir longe (basta ouvir as versões acústicas dela), só não sabe usar essa capacidade, ficando em algum lugar entre uma voz de Jessie J, uma aparência de Rihanna e músicas pra festa no estilo que ficou mais conhecido na ”voz” da Ke$ha. A impressão que fica é que Rita foi fazendo tudo o que o Jay-Z mandou e acabou se perdendo no meio do processo, criando músicas meio bagunçadas e fazendo a coisa errada com os nomes certos (exemplos mais específicos nas músicas embaixo).
                Apesar disso tudo, o disco não é de todo ruim, com algumas músicas boas pra te fazer dançar, mas sem algo muito forte pra ir além desse objetivo. Talvez em um segundo disco ela já tenha construído sua marca de uma forma melhor e consiga usar os recursos da Roc Nation de uma maneira mais apropriada, mas por enquanto ela pode vender quantas músicas conseguir que não consegue me cativar. Em defesa dela, a grande maioria começou com um primeiro disco fraquinho, então ainda há chances de ela crescer.
                Sem mais delongas, a review track by track aqui embaixo, com as preferidas marcadas.



- Facemelt: produzida por diplo, essa é uma das melhores do CD e olha que não dura nem dois minutos. Rita chega a soar como M.I.A. em alguns momentos, mas de uma maneira boa, que não chega a soar como cópia e sim como influência. Infelizmente essa é só uma intro, no melhor estilo Birthday Cake e, assim como essa outra, eu espero que ela seja inteligente e lance uma versão completa da música com a participação de alguém num futuro bem próximo, porque daria um hit fácil fácil.

- Roc’ The Life: uma batida forte e uma letra sobre auto-confiança, com nada de mais, exceto pelo refrão grudento. A música é um pouco lenta se você for comparar com How We Do, mas  melhor em vários sentidos, sendo o não-autotune e a produção do The Dream algumas delas. As guitarras e a produção mais puxada pro pop rock também não deixam de ser dançantes, só depende do seu humor e disposição pra dançar.

- How We Do: nunca vi nada de mais nessa aqui, além daquela típica musiquinha de balada que éespecialidade da Bonnie McKee. Por sinal, a escolha dessa música como um dos principais singles de divulgação do CD foi o que me fez começar a comparar a Rita com a Ke$ha.

- R.I.P.: a Ritinha comentou que essa música nunca foi oferecida pra Rihanna e que ela lutaria pela música mesmo que tivesse sido, mas me perdoem, ela seria 300 mil vezes melhor na voz da Riri, ainda mais se considerarmos que foi coescrita pelo Drake. RIP lembra um pouco uma Rockstar 101, só que com os agudos menos aceitáveis e a voz inexpressiva da Rita. Pra vocês terem uma ideia, até considero o rap do Tinie Tempah um dos pontos altos da faixa que, apesar dos pesares, é boa.

- Radioactive: já tinha simpatizado de início só por ter a Sia no meio. A música se ajusta perfeitamente nessa nova fase dance da produtora e essas parcerias que ela tem feito com o David Guetta, cheias de gritos poderosos acompanhados por uma batida esquizofrênica. Mas, de novo, por mais que a música seja boa e a Sia saiba fazer algo dançante (oi Bring Night, eu me lembro de você), não há nada como uma balada escrita/produzida por ela. Até hoje acho que You Lost Me da Xtina só não chegou a #1 por problemas de divulgação, porque a música é uma das melhores baladas tanto da Sia quanto da própria Aguilera. De qualquer modo, uma faixa que mostrasse o alcance vocal/emocional da Rita Ora provavelmente não era o que a gravadora queria pra esse disco, o que deixa essa música muito menos legal do que poderia ser, mas ainda assim um single com potencial. 

- Shine Ya Light: com uma influência do dubstep e a voz ceia de atitude (!!!), só não vi muita conexão do refrão com a primeira parte da música, mas nada que atrapalhe. A letra é forte e a batida também ajuda, mas o “hey ah hey ah” não me agradou e deu até sono. Se a música fosse um pouco mais acelerada, poderia se transformar num daqueles hinos do tamanho de Firework.

- Love And War: com os dedos do Stargate e da Ester Dean, a única coisa que incomoda aqui são os vocais mal trabalhados nas partes mais calmas da música. No refrão ela até que se sai bem, mas no resto parece um pouco fraco e sem vida, como na maior parte do álbum.

- Uneasy: música divertida, badass, que soa mais original em relação às outras. Rita libera o lado bad girl aqui e até a voz dela muda à medida que vai pronunciando os versos num estilo meio rap. Coincidência ou não, essa é uma das poucas que foram co-escritas por ela, o que me faz pensar que a qualidade da música pra Rita Ora dependendo do seu nível de identificação com ela.

- Fall In Love: quando você lê que é uma parceria com Will.i.am já dá pra esperar muito autotune, e aqui você encontra tanto que a voz da garota fica até desfigurada. Mas também, ao ler que é uma parceria com o Will, você já espera que seja algo dançante, o que é exatamente o porquê de eu ter amado a faixa (guilty pleasure). A primeira parte da música lembrou MUITO Craziest things, parceria do produtor com a Cheryl, mas isso pode ser porque as músicas dele são quase todos iguais e a voz robótica ajuda a deixar tudo mais padronizado. Um dos pontos altos da música (e do CD, posso dizer) é quando a música estoura no refrão com “Don’t want no one nigt stand, I wanna fall in love” e uma batida que é quase a assinatura do Will no fundo. A única coisa ruim dessa faixa é quando o rapper/produtor começa a “cantar” e parece que até uma pessoa tomando um soco na cara tá mais animada do que ele.

- Been Lying: uma inversão de papeis na produção que eu ainda não entendi e que serve como exemplo pro que eu tava falando mais acima. Não que a produção do Diplo não tenha ficado boa nessa música, e eu até entendo ele querendo se afirmar como produtor de faixas diferentes do trabalho recorrente dele, mas só não sei se um cd da Rita Ora seria a melhor ideia pra fazer isso. Considerações feitas, eu ainda não acho que seja algo muito marcante ou excepcional, sem citar que o refrão é a pior parte do conjunto.

- Hello, Hi, Goodbye: horrível horrível horrível. Uma baladinha com uma produção meio estranha e que te deixa meio perdido sobre qual foi a intenção da música no álbum. Talvez se fosse produzida pelo Ryan Tedder, daria em algo melhor, já que ela tá afim de trabalhar com a galere toda do pop. Quando a música começa a ficar aceitável, ela acaba e, na verdade, esse é o clima do cd todo: uma vibe de quase bom.

- Hot Right Now: música genérica de boite e, sabendo disso, admito que gostei e bati cabelo quarto afora ouvindo. Épica pra pista de dança e até o autotune é aceitável aqui. Assim que eu ouvi,  tive uma imagem de todo mundo abanando a mãozinho e repetindo hot right now, hot-hot right now enquanto dança. A música é tão boa que já foi usada em dois programas de tv, sem ser single (x factor e não me lembro do outro), além de ser ótima pra academia também, ou qualquer outro lugar onde você possa se movimentar.

- Young, Single and Sexy: uma música que lembra aqueles hip hops antigos que ninguém nunca mais ouviu falar, ou alguma b-side das Destiny’s Child. O refrão é até animadinho, mas meio bobo, com essa frase épica (tenho que explicar que isso é irônico, porque lendo é meio difícil de vcs entenderem, eu sei): I’m Young, single and sexy; London to New York city.

- Meet Ya: com o produtor de Mr. Know It All, é uma música levezinha, com um violão animadinho, clima de luau com os amigos, meio acústica e um ótimo jeito de terminar o cd e mostrar que a menina canta de verdade.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DÁ O PLAY: Sky Ferreira, Banda Uó, Calvin Harris, Will.I.Am e No Doubt



                Desde o início do ano que já dava pra saber: setembro promete. Tem o retorno do No Doubt, o primeiro disco da Banda Uó, o segundo do The XX (que já vazou), o da Ellie Goulding (que eu espero que vaze esse mês ainda), um novo de inéditas da Pink e mais um monte de singles aleatórios e promissores por aí.
                O fim de agosto e esse início de setembro já foram movimentados. Alguns artistas lançaram os carros-chefes dos discos (Taylor Swift, Alicia Keys e Muse, por exemplo) – uns me surpreenderam, como Sky Ferreira -, outros lançaram o segundo single ou até mesmo alguma música de divulgação e praticamente ninguém ficou parado.
                Desse meio tempo, eu escolhi cinco faixas das minhas preferidas (com uma exceção) dentre esses lançamentos pra mostrar aqui e lá vai:


                - Calvin Harris – Sweet Nothing (Feat. Florence Welch):  a música que eu mais esperava de todos os lançamentos e a que eu já tinha decidido como minha preferida deles, quase foi isso tudo. Depois do remix que o Calvin Harris fez pra Spectrum, eu já sabia que uma colaboração dos dois pro CD dele seria mais dançante do que qualquer trabalho feito pela Florence, mas o que me deixou feliz foi que nenhum dos dois se perdeu na parceria. Apesar de ser uma música típica do Calvin Harris, você ainda vê a identidade da Florence nela: os versos dramáticos, o poder vocal, e as batidas alternadas entre um dance frenético e algo mais desacelerado no “It isn’t easy for me to let it go”  (a maioria dos singles da Florence são assim também, é só reparar em Shake It Out, Dog Days Are Over e No Light, No Light –  por mais explosivas que elas sejam, há sempre uma estrofe mais calma no meio ou no início). O único contra disso tudo é a farofização da Florence, porque com certeza essa música vai estourar nas rádios e o povão vai todo chegar falando que ama ela de paixão e que “nossa, você conhece a Florênce? Eu AMO ela!”.  Enfim, nada que a gente não consiga suportar.






                - Sky Ferreira – Everything’s Embarassing:  essa foi a que me pegou de surpresa. Depois do lançamento de Red Lips (que, na minha cabeça, era o primeiro single do primeiro álbum dela), eu tava pronto pra um LP inteiro da Sky, quando, do nada, descubro que Everything’s Embarassing é o primeiro single do novo EP (sim, mais um) Ghost, que sai no iniciozinho de outubro. A música fala sobre um relacionamento que não deu certo, apesar das tentativas. O ritmo é meio mortinho, e eu não consegui entender se a intenção era fazer algo triste ou dançante, mas funciona mais por lado dançante. Talvez a culpa seja dos produtores Blood Orange (que já trabalhou com a Florence em Never Let Me Go) e Ariel Rechtshaid (que já fez colaborações com No Doubt, Major Lazer e Usher), os responsáveis pela faixa e donos de estilos um pouco diferentes. Apesar da estranheza a princípio, eu gostei da música, só tomei um susto por não ser o tipo de som que eu esperaria dela. Esperemos pelo EP inteiro para julgar,  já que por enquanto eu fiquei parcialmente satisfeito com Everything’s Embarassing.






                - No Doubt – Push And Shove (Feat Major Lazer e Busy Signal): a preferida de todas e que não saiu do repeat desde o dia que ouvi! Não sabia muito bem o que esperar dessa música depois do remix que o Major Lazer fez pra Settle Down e que não me agradou muito, mas a produção do Diplo foi imbatível aqui. A música mistura rap, algo de reggae, umas guitarras e bateria de rock, com um ritmo que começa gritante e alegre, passando pela voz arrastada e triste da Gwen no refrão e terminando com uma acelerada meio conformada, como se ela jogasse a toalha ao dizer “Have fun if that’s what you want/Let’s fight if that’s what you want”. O melhor é que a música consegue passar um pouco de desespero pela voz da Gwen, ao mesmo tempo em que é divertida (aquelas buzinas no fundo poderiam ter soado aleatórias em outras músicas) e, por que não, dançante. Confesso que não conhecia e não fiz questão de começar a conhecer esse Busy Signal, mas nem ele fica deslocado na música. Depois dessa suruba de ritmos numa faixa só, tô botando fé que o Push and Shove vai ser um dos melhores álbuns do ano.





                - Will.I.Am – Reach For the Stars: óbvio que essa é a que eu não gostei mas postarei (tudo pelas rimas). O negócio é o seguinte: rumores disseram que ele ia vazar a parceria com a Britneyde esse fim-de-semana e eu tava crente que ia postar música nova dela aqui, mas só que não. Com isso, resolvi comentar a prepotência desse queridinho de lançar uma música de Marte.  O melhor de tudo é ele achando que é um Kanye West da vida e tentando dar um tom épico a música e conseguindo o efeito contrário, fazendo com que a produção pareça barata e desleixada. Eu até gostei do coral no fundo, mas ainda acho que ele deveria ter ficado naquilo que ele é melhor: fazer música pra nightclub e olhe lá.






                -Banda Uó – Búzios do Coração: comecei a gostar de Banda Uó há pouquíssimo tempo, mas a cada música nova que eu conheço eu me apaixono mais. Hoje o CD deles, Motel, estreou em primeiro lugar no iTunes e, como essa música vazou semana passada, foi ela que eu escolhi. Ela não é animada como Faz Uó ou Malandro, é mais uma baladinha apaixonada que, não sei por que, me lembrou de alguma música do Netinho na micareta (todos têm um passado negro, ok). Dá o play aí e vomite coraçõezinhos.


                Gostou de alguma música, acha que faltou alguma coisa? Comenta aí que eu ~~analisarei~~.
                

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DÁ O PLAY: A vez dos DJ's



                Você provavelmente já ouviu músicas produzidas por eles ou inspiradas neles, alguma participação, algum remix oficial de um artista que você goste, mas nunca ouviu o trabalho pessoal deles. Aqui eu escolhi cinco DJ’s/produtores que têm músicas próprias bacanas e um som melhor ainda, mas são pouco conhecidos. Dá o play.


- Diplo: esse é um dos meus preferidos.  O som de Diplo, de acordo com o próprio, sofre grande influência do funk carioca, vide Bucky Done Gun da M.I.A., que é quase um proibidão (por sinal, ele é responsável pela produção de várias músicas da cantora, com quem ele já foi casado num passado não muito distante). O cara veio ao Brasil ano passado e fez uma reportagem especial e super legal pra Vanity Fair, onde ele explora o lado cultural dos brasileiros e diz (como vários antes dele) se apaixonar pela mescla de sons que existem no país, além de se confessar um fã de Techno brega. Thomas (nome de verdade dele), até chegou a tocar na Fosfobox e comentou que o Rio é o epicentro cultural do Brasil. *palmas* Como se não fosse razão suficiente pra amá-lo, é de autoria dele um dos maiores hits do ano passado, Girls (Run The World) da Beyoncé (e Exageraldo do MC Naldo por tabela). A sample usada na faixa vem da música Pon De Floor, do projeto paralelo que ele comanda, Major Laser. Beyoncé ouviu a música – que começou como uma brincadeira – e logo de cara se apaixonou pelo ritmo e trabalhou em cima dele. Daí pra frente todo mundo já sabe o que aconteceu. A parceria deu tão certo que ele chegou a produzir outra faixa do 4, End Of Time, que quem conhece, ama. Além de DJ, produtor e comandante do Major Lazer (que começou como uma parceria com Switch, mas acabou ficando nas mãos de Diplo), o americano lançou esse ano mais um EP pessoal, o Express Yourself. Pra divulgar o primeiro single de mesmo nome do EP, Diplo lançou uma brinks pelo twitter onde as pessoas fazem a ~~pose~~ do vídeo (pra entender melhor, favor assistir ao vídeo aqui embaixo) e mandam uma foto pra ele com a hashtag #ExpressYourself. Já teve gente do mundo inteiro, tanto homem quanto mulher, participando disso e eu, obviamente, achei a ideia genial e quase mandei uma foto também. Se você ficou curioso, aqui embaixo tem uma música do Express Yourself (Barely Standing, com participações da Sabi e de Datsik), um remix oficial de Circus da Britney e uma que ele produziu (Beat Of My Drum, da Nicola Roberts) pra você ouvir e entender do que eu tô falando, fora a recomendação implícita das que eu já citei aqui em cima.

Express Yourself
Barely Standing
Circus
Beat of My Drum



-Skrillex: vou ser bem sincero e já avisar que Skrillex ou você ama ou você odeia, não tem meio-termo. A especialização do cara é o dubstep, aqueles sons que você tem que saber mexer muito bem pra não criar uma dor de cabeça em quem tá ouvindo. As músicas dele são bem-humoradas (ouça Kill Everybody aqui embaixo pra entender melhor), extremamente dançantes e diferentes da música eletrônica convencional graças ao dubstep. Não sou muito fã dos primeiros EP’s dele, porque eles me parecem meio barulhentos demais - mesmo que algumas músicas sejam ótimas.A questão é que depois que você ouve Bangarang, o EP que ele lançou no ano passado, você fica mal acostumado e espera que o trabalho todo do cara tenha esse nível de qualidade. As músicas são bem diferentes entre si, mas sem fugir da estética pela qual ele ficou conhecido, indo desde um “remix” do The Doors até uma parceria com Ellie Goulding (namorada do sortudo). Sem dúvida, esse EP é a obra-prima do DJ até agora, com o dubstep usado na medida certa, além de faixas que começam despretensiosas e depois passam a ter uma batida alucinante (The Devil’s Den é um dos exemplos). Pra você ouvir, tem Summit (a parceria com Ellie), Breakin’ a Sweat (o remix do The Doors, com trechos de Light My Fire) e Do Da Oliphant, uma das que eu mais gosto do EP My Name Is Skrillex, de 2010.

Summit
Breakin A Sweat
Do Da Oliphant



-Avicii: #6 na lista de DJ’s da DJ Magazine, o sueco Avicii atingiu o topo das paradas europeias no ano passado com o single Levels, que usa uma sample de Something’s Got A Hold On Me da Etta James – a mesma usada para Good Feeling do Flo Rida, que lembra um pouco demais Levels. Sendo bem sincero (de novo), não acho o som do Avicii muito marcante como o do Skrillex ou o do Diplo; as músicas chegam até a me lembrar de uma versão mais “calma” do Calvin Harris, mas ainda assim dançante- talvez pela influência do Daft Punk e do Fatboy Slim. De qualquer forma, marcante ou não, as músicas são boas e dão um sentimento “bom” que eu não sei explicar. O sucesso dele foi tão grande, que o último single, Silhouettes – que eu acho melhor que o Levels – ganhou um remix especial e foi usado na propaganda de jeans da Ralph Lauren. Segue abaixo esse remix, o single Levels e um remix que ele fez de Girl Gone Wild da Madonna.
Silhouettes
Levels
Girl Gone Wild




- Calvin Harris: outro dos meus queridinhos, que eu sou apaixonado desde quando um amigo me apresentou o Ready For The Weekend em 2010. Apesar de já ser um nome conhecido no espaço musical europeu há um tempo, Calvin explodiu nas rádios e no gosto popular depois do sucesso que ele ganhou com a produção de We Found Love da Rihanna (há pouco tempo ele comentou que a música tinha sido descartada por duas popstars antes de a Riri aceitar, agora cê vê, né). E você que acha que foi a primeira vez que ele trabalhou com algum nome do mainstream, tá enganado, porque também é dele a produção de In My Arms, da Kylie Minogue (confesso que não sabia e fiquei chocado quando descobri). Hoje, é quase impossível você ligar o rádio e não escutar uma música dele, seja Feel So Close (que também é usada na propaganda da Samsung SMART TV), Call My Name da Cheryl Cole, ou Where Have You Been, o novo hit da Rihanna que eu não sei por que ainda não chegou ao #1 da Billboard, mas estamos observando. Dele, eu separei um remix oficial de Spectrum da Florence and The Machine (que ganhou até um vídeo remixado junto, sinta o amor), o novo single pessoal, We’ll Be Coming Back, que a qualquer momento deve explodir nas pistas de dança também e ganhou vídeo hoje, e uma do CD que eu citei aí em cima, Stars Come Out.

Spectrum 
We'll Be Coming Back
Stars Come Out



- David Guetta: por último, a farofa da música eletrônica. Não que eu não goste das músicas dele, muito pelo contrário. Mas me incomoda, e muito, essa gente que coloca o Guetta num pedestal e acha que ele é a nata dos DJ’s. Como disse o Deadmau5 (DJ de verdade) em uma entrevista à Rolling Stone: “David Guetta tem dois iPods e um mixer e ele só toca faixas – tipo, ‘aqui tem uma com o Akon, olha só!’ [...] Ainda há pessoas que só apertam botões ganhando meio milhão. Não que eu não aperte botões. Mas eu aperto muito mais [do que os outros]”. Isso meio que esclarece a parte que me desagrada no Guetta. Agora, não sou idiota de não admitir que ele é um dos grandes motivos de a música eletrônica ter ganhado tanto espaço assim no cenário musical, mesmo com as controvérsias.  Apesar de a maioria das músicas serem parecidas, não são de todo ruim; talvez um fator que me ajude a não gostar delas, seja o fato de que todos os singles se transformam naqueles sucessos que você não consegue mais ouvir porque sempre tem alguém escutando o dia inteiro em algum lugar. De qualquer maneira, é bom quando ele pega um artista “desconhecido” e consegue fazer um super hit, como aconteceu com a Sai e o Kid Cudi. Pra quem ainda não ouviu, tem She Wolf (Falling To Pieces), o novo single dele com a Sai pro relançamento do Nothing But The Beat (ainda não decidi se melhor que Titanium ou não, mas é, no mínimo, tão bom quanto) e Revolver, que é uma das minhas preferidas.
She Wolf (Falling To Pieces)
 Revolver
Se você ainda achou pouco e quer conhecer mais DJ’s/produtores, tem o ótimo Deadmau5 – que já tocou no VMA e brigou com a Madonna por causa da polêmica da apologia às drogas; Jamie XX, da banda The XX e produtor da versão original de Take Care que foi regravada pelo Dranke; Afrojack, namorado da Paris Hilton e responsável pela nova ~~empreitada~~ da socialite na música, além de Tiesto, Steve Aoki e Kaskade.